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Vila Isabel de Drummond a Noel Barão
de Drummond, fundador do bairro de Vila Isabel, em 1873, só é
lembrado como o criador do jogo do bicho. Além disso, fundou o
primeiro jardim zoológico da cidade, contratou um engenheiro para
traçar as ruas de Vila Isabel na antiga Fazenda do Macaco, levou
o bonde para o bairro já na época da fundação
e ganhou o título de barão porque alforriou todos os seus
escravos antes da abolição da escravatura. O jogo do bicho foi apenas um pretexto que o barão usou para incentivar as pessoas a visitar o jardim zoológico. Cada ingresso possuía um número e, no final da tarde, sorteavam um número para dar o prêmio em dinheiro. Cada número representava um animal e, por conta disso, o sorteio foi chamado de jogo do bicho. Tempos depois, o jogo do bicho passou a ser realizado fora do jardim zoológico sem o rato, o javali, a girafa, o tucano e a zebra. Essa história
do barão credencia Vila Isabel como um bairro tipicamente carioca.
É um lugar tão especial que seus moradores se orgulham de
viver nele. A frase de Noel "modéstia à parte, meus
senhores, eu sou da Vila" revela uma posição de extrema
superioridade em relação aos demais bairros. É uma
frase de alguém que sabe que está "por cima da carne-seca".Noel
fez músicas belíssimas enaltecendo Vila Isabel. Mas hoje
em dia, tanto Vila Isabel como toda a cidade do Rio não é
mais a mesma. As casas deram lugar aos prédios e a violência
faz parte do cotidiano, apesar disso, ainda podemos perceber a alegria
do bairro percorrendo os seus bares e esquinas. Este mesmo sentimento de amor arrebatou os corações de seus moradores na noite de 4 de maio de 1987 - ano do cinqüentenário da morte de Noel Rosa - quando a Vila Isabel saiu às ruas para homenageá-lo. Bares e calçadas do Boulevard foram tomados pelas pessoas. Nas mesas e esquinas eram cantados os versos do grande poeta da Vila.
NOEL PELA VILA Chalé
Após a morte de Noel, todos deixaram o chalé, ficando somente sua mãe, D. Martha, morando lá. Como não conseguiu agüentar a solidão dentro daquela casa, que se tornara muito grande para ela, foi morar um tempo com as primas. Depois resolveu ir para um quartinho no Andaraí e, logo em seguida, para outro na Rua dos Artistas e, finalmente, para o Estácio, onde ficou até falecer. O chalé, que todo o bairro conhecia como a "casa de Noel", acabou sendo vendido. No lugar do chalé, hoje existe o Edifício Noel Rosa.
Logo após sua morte, seus amigos se mobilizaram a fim de imortalizar sua figura, no bairro de Vila Isabel. A idéia recebeu fortes adesões do meio musical, entre os quais Lamartine Babo. O escultor Alfredo Herculano, amigo de Nássara, aceitou cuidar da empreitada sem ganhar um só vintém. Então, em 18 de agosto de 1938, foi inaugurado na praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, uma pequena coluna de pedra que ressaltava o seu perfil característico, o instrumento que tanto o acompanhou em suas composições - o violão - e a inscrição: "A Noel Rosa - 1910 - 1937".
Até hoje a obra em homenagem ao compositor continua recebendo visitas de pessoas interessadas em saber quem foi Noel Rosa, que com seu estilo de vida ímpar, fez com que a Vila Isabel se tornasse um dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro.
HOMENAGENS Em 1950, foi inaugurada a Rua Noel Rosa, antiga Sarií, descampada e sem saída, paralela à Gonzaga Bastos. Alguns anos após sua morte, seu nome fora esquecido, mas hoje está em toda a parte: nos letreiros de casas comerciais do bairro, na escola pública construída num dos cantos do antigo jardim zoológico, no túnel que une Vila Isabel ao Jacaré. É também nome de vários monumentos em sua homenagem: a escultura de pedra feita por Alfredo Herculano; a placa na fábrica de tecidos convertida em supermercado ("Ao Poeta da Vila, Noel Rosa, que, entre tantas canções inesquecíveis, celebrizou esta casa com a sua obra musical "Três Apitos", a nossa mais sincera homenagem - Centro Comercial Boulevard"); o painel na parede do Petisco; o busto comemorativo do cinqüentenário de morte, inaugurado no Boulevard 28 de setembro, em frente à Rua Rocha Fragoso. |