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Sala
do Artista Popular: 100 exposições
Espaço
privilegiado de mostra e comercialização da tão
diversificada arte popular brasileira, a Sala do Artista Popular
inaugura com Rendeiras de Riacho Doce sua centésima exposição.
A
feliz iniciativa de Lélia Coelho Frota - então diretora
do Instituto Nacional do Folclore - há 19 anos poderia
ser considerada mais uma atitude corajosa de quem reconhece, admira,
valoriza e respeita o saber popular, que ela tão bem descreve
em tantos textos. E o caminho percorrido desde aquele 31 de maio
de 1983 - quando se abriram as portas para que o público
viesse conhecer o cordelista Jota Rodrigues e seu trabalho expoente
- confirma.
Foram
não apenas 100 Saps, como a equipe responsável pelo
projeto denomina, mas algumas fases, vários obstáculos,
muita ansiedade, infinitas alegrias, imprevistos de todos os tipos
e o início de muito sucesso, por exemplo de quem afirma
"nunca pensei que um dia eu precisaria de ter telefone, abrir
conta em banco e aprender inglês; depois da SAP, precisei
de tudo isso" (Jorge Rodrigues, escultor, SAP 50). Mais do
que isso, vem sendo um excelente aprendizado para nós,
funcionários, um permanente exercício de paciência
e criatividade, muita emoção transbordando de cada
pesquisa de campo, de cada relação estabelecida
com pessoas que, em alguns casos, nunca haviam deixado seu pedaço
de chão e, de repente, se encontram diante de câmeras
no Rio de Janeiro.
Em
vários momentos, buscamos parceiros e apoios que viabilizassem
a continuidade do projeto - secretarias, prefeituras, universidades,
associações, órgãos públicos
e iniciativa privada -, aos quais se somou, em 1998, o Conselho
da Comunidade Solidária, com o Programa Artesanato Solidário,
de valorização do saber tradicional como meio de
sobrevivência com dignidade.
Procurando
alcançar abrangência nacional na medida do possível,
bem como dar conta da diversidade de técnicas e materiais,
oferecemos ao público a oportunidade de conhecer e comprar
artesanato de qualidade e tradição, a preço
justo -estipulado pelo artesão que recebe a renda auferida
-, com o requinte de aprender sobre o contexto cultural a que
pertence a peça que levou para sua casa, seja lendo o catálogo
que acompanha cada mostra, seja em conversa ou oficina com o expositor.
No
convívio com os artistas e artesãos, que dão
sentido ao projeto, trançamos, modelamos, esculpimos, rendamos,
tecemos, costuramos, atamos, imprimimos, colamos, pintamos e bordamos.
Mais do que isso, partilhamos saberes e oportunidades, esforços
e afetos. Por isso, não podemos deixar de considerar marco
relevante o acréscimo do terceiro dígito ao número
no selo da SAP.
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