Exposição Permanente

A exposição permanente do museu reúne objetos representativos de diferentes modos de vida e formas de expressão de vários grupos culturais da sociedade brasileira. Tais itens foram selecionados em seus contextos sociais e culturais de origem, e vêm assumir uma nova função: a de porta-vozes de uma entre as muitas histórias possíveis sobre o homem brasileiro.

A exposição usa como gancho a expressão de Roberto da Matta "o mito das três raças - índios, negros e brancos", para falar das muitas influências encontradas no homem brasileiro. Remontada em 1994, reúne atualmente cerca de 1400 objetos organizados em cinco unidades temáticas: Vida, Técnica, Religião, Festa e Arte.

O módulo Vida oferece aos visitantes representações de artistas populares, como: os mestres do barro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ou do Alto do Moura, em Caruaru/PE, do tecido, da comunidade do Chapéu Mangueira e da Cooperativa Abayomi, ambas no Rio de Janeiro, ou da madeira, entre outros materiais. Esses trabalhos abordam nascimento e morte, namoro e casamento, escola e brincadeiras infantis, profissões e formas de divertimento que, ao longo do território nacional, são encontrados em constante processo de transformação estimulado pelos meios de comunicação de massa, mas preservados na memória, na transmissão oral, no resgate das marcas culturais e registradas na arte e engenho desses mestres populares.

Percorrendo o módulo Técnica, além de ambientações de tecnologias tradicionais relativas à alimentação, o visitante é transportado a pólos produtores de cerâmica (Maragogipinho/BA e Apiaí/SP), ao universo de tecelãs goianas, a comunidades pesqueiras nordestinas e fluminenses, com sua diversidade de trançados - seja em fios, seja em fibras - e chega mesmo a uma feira popular, espaço privilegiado de escoamento de produção artesanal, incluindo também serviços, como o do lambe-lambe ou dos sábios praticantes da medicina popular, e muita diversão.

No exercício de sua fé, não é raro o brasileiro superpor santos católicos, orixás do candomblé e entidades da umbanda. O estabelecimento de laços entre os homens e suas divindades, meta da religiosidade popular, está representado no módulo Religião por ex-votos coletados no Ceará, ferros de assentamento de orixás recolhidos na Bahia e uma procissão ecumênica diante de uma imagem de São Jorge e tendo a frente uma bandeira do Divino. A música, relevante marca cultural que permeia os vários espaços, é aqui simbolizada por atabaques rituais com suas especificidades afro-brasileiras.

Na linguagem de danças, cantos, fantasias e comidas, o brasileiro fala sobre a sociedade em que vive, seus valores e crenças. Nas festas e por meio delas, são permanentemente construídas maneiras de viver e de ver o mundo. Enfatizando o processo que culmina no grande evento, o módulo Festa destaca, entre outras, o maracatu pernambucano, a folia-de-reis do Rio de Janeiro, a cavalhada de Pirenópolis/GO, e o bumba-meu-boi maranhense.

Encerrando com o módulo Arte, o visitante entra no universo de indivíduos que, provenientes de extratos populares, sofreram o impacto da civilização industrial, incorporando-o a sua arte, expressão de seus sentimentos e experiências. São esculturas em barro ou madeira, gravuras e pinturas, coletadas em diversas localidades, de autoria de mestres da arte popular como: Mestre Vitalino, Nhô Caboclo, Luzia Dantas, GTO, Chico Tabibuia, Galdino, Antônio Poteiro, entre outros.

O rico acervo do Museu de Folclore apresenta através de suas instalações as diversas tradições religiosas, os mais variados modos de subsistência, a beleza e diversidade do artesanato, os encantamentos das festas tradicionais e modernas. Lá podemos encontrar a mais pura expressão do talento e a riqueza dos artistas populares.