| CONFLITOS
E GESTÃO DE PARQUES NACIONAIS: O PARQUE NACIONAL MONTANHAS
DO TUMUCUMAQUE
Gustavo Mendes de Melo (UFRJ/IP/EICOS);
Marta Irving (UFRJ/IP/EICOS)
Contexto e justificativa
Compreendido por diversos autores como parte integrante
de quase todas as relações sociais, o conflito é
tido como parte essencial, também, da formação
de cada sujeito individualmente e na relação com o
outro. Sociologicamente, os conflitos podem fazer parte de um período
de desequilíbrio cujo objetivo seria justamente promover
um novo estado de equilíbrio e de acordo com Símel
(1983) tendem a promover coesão social. Já em termos
organizacionais, Motta entende o conflito como força motora
e onipresente e causadora de rupturas, que impele às mudanças
na sociedade em geral e nas organizações em particular.
Para compreender os conflitos como elemento no processo
de gestão de unidades de conservação parte-se
da investigação da percepção de patrimônio
natural que os sujeitos constituintes dos grupos sociais relacionados
possuem da unidade de conservação em questão.
Busca-se compreender a interpretação da própria
relação que estes sujeitos possuem com os recursos
naturais existentes em seus territórios.
O trabalho procura tratar dos grupos sociais que
podem estar inseridos na área das unidades de conservação
ou de grupos localizados no entorno da unidade. Mesmo que um grupo
social não resida na área interior de uma unidade
de conservação, a área pode pertencer a sua
noção territorial já que pode ser ocupada para
outros fins, podem almejar seus controles para uso dos recursos
naturais e podem se identificar simbolicamente com aquele ambiente
A relação dos grupos sociais com seus
territórios e recursos naturais está relacionada diretamente
com sobrevivência destes. Neste sentido, a dimensão
ecológica do problema é também parte de uma
dimensão social de forma integrada e não está
passível de dissociação completa. Os desafios
de ordem ambiental fazem parte da resolução de problemas
de ordem social, como por exemplo, saúde, educação
e economia. Neste sentido, ao longo das formulações
de políticas públicas de caráter ambiental
estão sendo amadurecidos os espaços de intercessão
com o assunto social.
O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT)
foi criado através de decreto sem numero publicado no Diário
Oficial no dia 23 de agosto de 2002. Com 3.877.393 ha, o parque
está localizado na região noroeste do estado do Amapá
ao longo da fronteira internacional do Brasil com a Guiana Francesa
e o Suriname. O PNMT possui quase 100% de sua cobertura vegetal
preservada, é o maior Parque Nacional do Brasil e detém,
ainda, os títulos de maior Parque Nacional da América
do Sul e de maior Parque Nacional do mundo em área de floresta
tropical.
Objetivo
Constitui objetivo deste estudo fazer uma cartografia
dos atores sociais e, através deste mapeamento, investigar
sobre a percepção e sobre a interpretação
de patrimônio natural para refletir sobre os conflitos locais.
Considera-se assim, a análise sobre os conflitos um importante
elemento capaz de contribuir na formulação de políticas
e gestão de parques nacionais.
Metodologia
A primeira etapa será de consulta e análise
documental e bibliográfica sobre o Parque Nacional do Tumucumaque,
abrangendo livros, artigos e publicações periódicas,
assim como instrumentos legais e institucionais, matérias
jornalísticas, mapas, fotografias entre outros. Será
realizada pesquisa bibliográfica sobre os temas centrais
da fundamentação teórica envolvendo questões
ligadas a participação dos atores sociais e conflitos
no processo de gestão de Unidades de Conservação.
A Segunda etapa será levantamento de campo,
consistindo em observação participante e entrevistas
com sujeitos que façam parte de um grupo social no território
do Parque Nacional do Tumucumaque. Preferencialmente será
trabalhado algum grupo social na localidade Vila Brasil por ser
a única localidade dentro da área do parque e que,
desta forma, sofre impacto direto decorrente da implantação
da unidade.
A terceira etapa se constituirá da análise
de conteúdo das entrevistas realizadas e dos relatórios
de campo.
Reflexões para políticas públicas
As discussões em torno dos conflitos relacionados
com o processo de gestão dos Parques Nacionais podem contribuir
neste porcesso levando-se em conta os aspectos organizações
dos espaços de participação previstos para
esse processo.
Através dos conflitos poderão ser discutidas
diversas estratégias para trabalhar o caráter ético
da participação social nos processos de decisão.
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