| CONFLITOS
NA CONSERVAÇÃO: O CASO DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA
DA TIRIRICA
Alba Valéria Santos Simon (Mestre
em Ciência Ambiental - UFF) Pesquisa financiada pela FAPERJ
A partir de dissertação de mestrado
em Ciência Ambiental defendida em 2003 na UFF, pretende-se
demonstrar os conflitos evidenciados ao longo do processo de transformação
de um espaço natural situado na divisa das cidades de Niterói
e Maricá. Objetiva-se relatar as complexas relações
sócio-ambientais e o modelo de gestão evidenciados
na institucionalização desse espaço enquanto
parque. A partir do conceito de "conflito ambiental",
destacam-se diferentes protagonistas atuantes entre setores ambientalistas
e o poder público (pequenos agricultores, empresários
do setor imobiliário, moradores do parque, empresários
da exploração mineral, ativistas do movimento comunitário).
Com isso, pretende-se problematizar as formas de
atuação do poder público ao lidar com a questão
ambiental, em função de duas questões: a) o
fato de o Estado se basear em um modelo de gerenciamento de parque
advindo de uma concepção estrangeira, que deve ser
constantemente repensado para sua adaptação ao contexto
sócio-cultural brasileiro; b) o fato da própria visão
ambientalista basear-se em uma tradição de pensamento
ou de ação que tende a priorizar os aspectos naturais
em detrimento das complexas questões culturais inerentes
aos processos de preservação.
Foram selecionados cincos casos de conflitos ambientais
sendo dois deles relacionados a populações tradicionais
residentes no Parque Estadual da Serra da Tiririca e em área
a ser futuramente anexada ao Parque. Em ambas situações
as comunidades tradicionais refletem descontentamento com as novas
regras de uso e apropriação do espaço através
da institucionalziação do espaço e se mobilizam
para contrapor a implementação do Parque.
Objetiva-se relatar as complexas relações
sócio-ambientais e o modelo de gestão evidenciados
na institucionalização desse espaço enquanto
parque. A partir do conceito de "conflito ambiental",
destacam-se diferentes protagonistas atuantes entre setores ambientalistas
e o poder público (pequenos agricultores, empresários
do setor imobiliário, moradores do parque, empresários
da exploração mineral, ativistas do movimento comunitário).
contribuir para uma leitura sobre as implicações da
concepção de conservação da natureza
materializada nos PNs e, em especial, no Parque Estadual da Serra
da Tiririca, possibilitando, a partir dessa análise, colaborar
para a sinalização dos caminhos a serem percorridos
para uma gestão ambiental plenamente participativa.
A pesquisa baseou sua metodologia sobre três
abordagens: a da pesquisa bibliográfica e documental, a do
trabalho de campo para coleta de dados através de entrevistas
e exame in loco dos fatos, e a experiência empírica,
na ação participação nas reuniões
da Comissão Pró-Parque e outras correlatas, como as
Audiências Públicas para defunição Plano
Urbanistíco (PUR).Foram analisadas, ainda, as diversas reportagens
dos jornais locais e de grande circulação, desde a
criação do PEST até os dias atuais, na intenção
de se perceber como foi registrado pela imprensa todo o histórico
de criação e o tratamento dado aos "problemas"
evidenciados durante e depois da criação do Parque
Foram analisados, também, todos os processos
administrativos e judiciais existentes, assim como planos e projetos
relativos ao PEST existentes no Instituto Estadual de Florestas.
Há necessidade premente de cooperação
entre os poderes públicos estadual e municipal, na busca
de políticas públicas que possam minimizar os conflitos
(tais como redução de IPTU para moradores do PEST.
A elaboração do plano Gestor da Unidade
deve ser pensada conjuntamente com a participação
da sociedade e poderá se configurar em uma tentativa de busca
de um modelo de gestão, compatível com as particularidades
locais, uma vez que é possível se vislumbrar áreas
de convivência entre a sociedade e o PEST, sem se pautar na
desapropriação ou desterritorialização
das poluaçõestradicionais.
Por fim, espera-se que essa dissertação
contribua para o entendimento de que existe a necessidade de se
construir socialmente uma concepção de conservação
baseada no entendimento do espaço da conservação
como espaço da gestão das relações sócio-
ambientais.
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