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PARQUE NACIONAL MONTANHAS DO TUMUCUMAQUE: PERCEPÇÃO
DOS ATORES INSTITUCIONAIS PARA A GESTÃO
Claudia Horta (UFRJ/IP/EICOS)
Marta Irving (UFRJ/ IP/EICOS)
Contexto do trabalho e justificativa
Este trabalho é parte do projeto de tese
de mestrado do Programa de Estudos Interdisciplinares de Comunidades
e Ecologia Social (EICOS/IP/UFRJ) que está em andamento.
Inúmeras pesquisas vêm comprovando a formação
de conflitos para populações que, por gerações,
habitaram as áreas que se tornaram parques. Para Diegues
(1998, p.37), estes conflitos são "decorrentes de uma
visão inadequada das áreas protegidas, aliadas a fatores
como conflitos fundiários, noção inadequada
de fiscalização, corporativismo de administradores,
expansão urbana, profunda crise econômica e dívida
externa".
Um dos problemas é que as autoridades das
unidades de conservação percebem as populações
tradicionais como destruidoras, desprezando oportunidades reais
de aproveitá-las no projeto e não concebem a natureza
enquanto ambiência.
Neste contexto, a compreensão da percepção
que os atores institucionais têm de sua participação
na gestão dos parques e a complexidade das ações
e das idéias diferentes sobre como preservar os bens comuns
e a biodiversidade, só podem ser resolvidos mediante o diálogo,
tarefa que não tem sido fácil. Este fato é
preocupante, porque a desunião e a radicalização
das partes só aumentam os conflitos já existentes.
A relevância desta questão se insere
no fato do PARNA Montanhas do Tumucumaque constituir, com outras
11 áreas protegidas, o Corredor de Biodiversidade do Amapá.
A região é conhecida como Escudo das Guianas e foi
classificada como de importância biológica extrema
no workshop "Avaliação de Ações
Pioritárias para a Conservação da Biodiversidade
da Amazônia Brasileira", realizado em 1999, em Macapá.
Sua criação foi de forma arbitrária
sem consulta pública e sem a participação da
sociedade civil local. Ocupa uma grande parte (25%) do território
do Amapá, tornando este território indisponível
para exploração, o que interfere na administração
do estado.
Por ser um parque de fronteira temos a questão
referente à soberania nacional, como por exemplo a questão
das lutas dos povos indígenas com a implementação
e a demarcação para garantia suas terras e suas culturas.
A Constituição de 1988 estabelece o reconhecimento
aos direitos originários às terras que os índios
ocupam tradicionalmente, fixando a responsabilidade da União
em demarcá-las. Reconhece, ainda, o direito à diferença
cultural, fundamento de um Estatuto pluriétnico e o caráter
multicultural da nação brasileira. Com o não
cumprimento do que estabelece a Constituição Brasileira,
cresce o quadro de conflito que tem vitimado várias lideranças
indígenas e membros de suas comunidades.
Objetivos
O presente trabalho tem o objetivo de tentar entender
a percepção que os atores institucionais envolvidos
na gestão do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque têm
da UC. E o papel que desempenham na prática na gestão.
A partir deste mapeamento, espera-se entender qual (is) o (s) conflito
(s) existe na gestão do parque.
Metodologia
Este estudo trabalho propõe-se a ser uma pesquisa
na modalidade estudo de caso, a ser realizado em 3 fases:
1 - Levantamento bibliográfico, realizado
em livros, artigos, periódicos e documentos oficiais, em
bibliotecas e instituições públicas, dos Parques
Nacionais da região norte, enfocando os parques de fronteira
na Amazônia com um estudo de caso no Parque Nacional Montanhas
do Tumucumaque. Serão também realizadas entrevistas
semi-estruturadas com pessoas de setores do Governo Brasileiro e
do terceiro setor, envolvidas na UC escolhida como estudo de caso.
2 - Pesquisa de campo quando serão realizados
entrevistas semi-estruturadas com questões fechadas e abertas
com os representantes das entidades governamentais das 3 esferas
(federal, estadual e municipal) e não governamentais envolvidos
na gestão da Unidade.
3 - Análise dos dados e resultados.
Reflexões Centrais para Políticas Públicas
O objetivo principal do programa de políticas
públicas é influenciar decisões, atitudes e
legislação, sempre em busca do favorecimento da conservação
do meio ambiente e da melhoria da qualidade de vida dos habitantes
da região.
Este trabalho pretende contribuir para a reflexão sobre a
governança, no sentido de problematizar as dificuldades e
desafios colocados à construção de arranjos
institucionais da interação entre governo e sociedade,
garantindo a concretização da democratização
dos processos decisórios dos governos.
Referências Bibliográficas
DIEGUES, A. C. S. O mito moderno da natureza intocada.
2. ed. São Paulo: Hucitec, 1998. 169 p.
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