| PLANO
DE MANEJO E CONSELHO CONSULTIVO DO PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE:
UMA CAMINHO PARA A GESTÃO PARTICIPATIVA DE ÁREAS PROTEGIDAS.
Elke Mannigel (Oroverde);
Lêda Luz (Projeto Doces Matas, GFA/IP)
Contexto do Trabalho e Justificativa
A construção do Plano de Manejo do
Parque Estadual do Rio Doce/PERD, administrado pelo Instituto Estadual
de Florestas/IEF, teve como princípio a participação
social na gestão de áreas protegidas, conforme prevista
na Lei Federal nº. 9985, que instituiu o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza - SNUC. O processo
buscou formas para conciliar os diferentes interesses das populações,
instituições e organizações das comunidades
de entorno, com os objetivos de conservação, inerentes
a sua categoria de manejo. Desta maneira, pretendia-se que o plano
refletisse o consenso entre as necessidades técnicas e os
anseios das comunidades. Paralelamente, realizou-se o processo de
constituição do Conselho Consultivo do parque.
Este Parque constitui a maior reserva contínua
de Mata Atlântica do Estado de Minas Gerais, com aproximadamente
36 mil hectares, localizado na parte leste do estado e seu entorno
é bastante heterogêneo representando diferentes potencialidades
e dificuldades, para a sua conservação e integração,
ao desenvolvimento regional.
Objetivos
Este trabalho documenta o processo participativo
de elaboração do Plano de Manejo e constituição
do Conselho Consultivo do PERD, realizado no período de dezembro
de 2001 a julho de 2002, e assim contribuir com os gestores de unidades
de conservação - UC, com relação à
formação de Conselhos e elaboração de
planos de manejo no enfoque participativo, como forma de integrar
as UC aos contextos regionais, criando espaços de diálogo
com a sociedade de seus entornos.
Metodologia
Após a definição do esboço
do plano de manejo, pelos técnicos, o processo participativo
foi iniciado, com reuniões para discussão da estratégia
a ser adotada. Definiu-se por aproveitar as oficinas participativas,
não só para a elaboração do Plano de
Manejo, mas, também, para a formação do Conselho
Consultivo. Várias questões foram exploradas, constituindo
um grupo de diretrizes básicas para efetivar a participação
necessária: Quem iria conduzir o processo? Com a participação
de quem? Como seria implementado o processo? Como organizar o processo?
Como comunicar-se com os diferentes atores?
Considerando que participação é
um conceito amplo e usado com diversos sentidos, foi necessária
uma discussão objetivando clarear as distintas compreensões
quanto a: Quais os desafios do enfoque participativo, na gestão
do Parque? Quais os benefícios do enfoque participativo na
gestão do Parque? O que a administração do
Parque espera da comunidade? Qual nível de participação
a administração do Parque pode e/ou deve assumir?
O que se espera alcançar ao final desta etapa? Quais passos
devem ser tomados para se chegar onde se quer?
Não existiam processos, já documentados,
de elaboração participativa de Planos de Manejo. O
roteiro metodológico do IBAMA prevê consultas públicas
para a elaboração, mas faltavam informações
sobre como conduzir o processo. Definiu-se, então, por estruturar
o processo em etapas conforme a seguir.
Quadro 1: Etapas do Processo Participativo, para
a elaboração do Plano de Manejo do PERD, com respectivos
objetivos.
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Etapas |
Objetivos |
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Reuniões preparatórias |
* Iniciar a comunicação
* Estabelecer estratégia de discussão Participativa
do Plano de Manejo
* Subsidiar a elaboração de materiais informativos |
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Fóruns de discussão
|
* Apresentar a definição de como se dará
o processo
* Apresentar a proposta do IEF
* Levantar propostas da comunidade
* Identificar potenciais representantes para integrar o Conselho
Consultivo |
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Fórum de consolidação |
* Consolidar as propostas para o Plano de Manejo
* Compor o Conselho Consultivo |
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
Em as todas as etapas, identificou-se uma demanda
de maior comunicação entre o Parque e a sociedade
e de apoio ao desenvolvimento local, integrado às potencialidades
do Parque. Apesar das propostas para o plano de manejo não
serem conflitantes com os objetivos de conservação,
a maioria foram pertinente aos Programas de Integração
com o Entorno e de Uso Público. Muitas das demandas apresentadas,
entretanto, fugiam à competência do IEF, como instituição,
o que pode refletir uma atitude mais reivindicatória do que
propositiva, por parte da comunidade.
A experiência aqui relatada mostra que formar
o Conselho não é suficiente para garantir a gestão
participativa da Unidade. Uma atuação efetiva do Conselho
deve estar fundamentada no entendimento de todas as questões
inerentes à gestão de uma Unidade de Conservação
e na compreensão do papel do Conselheiro, como representante
de um setor da sociedade. Isto demanda que o Conselho seja capacitado,
para opinar e contribuir de forma efetiva e construtiva, para a
proteção da Unidade e sua inserção no
desenvolvimento regional. A pressão da escassez de tempo
pode ter contribuído para a limitada compreensão do
papel do conselheiro, como representante de um setor da sociedade.
Planejou-se que a participação da comunidade
se daria no nível de uma consulta ativa, que poderia chegar
a uma negociação no último fórum. A
negociação, entretanto, ocorreu de forma pontual e
não sistemática, possivelmente devido ao tempo restrito
e a falta de participação das instâncias superiores
de decisão do órgão gestor, que dificultou
a posição da equipe do parque, para assumir compromissos,
junto aos atores do entorno, inibindo, assim, um processo de negociação
aberto.
A sociedade tem um longo caminho a percorrer na direção
de uma participação propositiva, assim como as instituições,
também, necessitam exercitar o compartilhamento de suas decisões
administrativas. Criar Conselhos, motivados apenas pela obrigação
de cumprir a lei ou para agradar diferentes grupos políticos
regionais, pode inviabilizar o funcionamento dos mesmos, perdendo-se
a oportunidade de se criar espaços democráticos de
negociação, entre os interesses locais e a conservação
da biodiversidade, incluindo diferentes atores sociais na gestão
das unidades de conservação.
Elaborar um Plano de Manejo, com enfoque participativo
e formar Conselhos Consultivos pode representar os primeiros passos
no caminho da gestão participativa das áreas protegidas.
É, certamente, um exercício de democracia, onde todos
os envolvidos estão aprendendo.
Referências Bibliográficas
Drumond, M.A. (Ed.) Oficina sobre Gestão Participativa
em Unidades de Conservação. - Anais. Belo Horizonte:
Fundação Biodiversitas, 1998.
Brasil. 200. Lei n° 9.985, de 18/7/2000, que
institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza - SNUC.
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Elke Mannigel. ledaluz@uai.com.br. Rua 33,1 - Timirim - Timóteo
- MG. 35280-308.
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