| A GESTÃO
PARTICIPATIVA NOS PARQUES NACIONAIS BRASILEIROS
Camila G. de Oliveira Rodrigues (CDS/UnB);
Júlio de Andrade (CDS/UnB);
Andréa Zimmermann (CDS/UnB)
Contexto do trabalho e justificativa
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação,
instituído pela Lei 9.985/2000 e o Decreto nº 4.340/2002,
prescrevem dois importantes espaços de participação
da sociedade civil em sua implementação: a consulta
pública e outras formas de oitiva da sociedade a respeito
da criação de Unidades de Conservação
e a implementação de conselhos de gestão destas
áreas O presente trabalho apresenta uma reflexão sobre
os avanços e desafios destes espaços públicos
participativos no âmbito dos Parques Nacionais. As informações
apresentadas fazem parte de um trabalho intitulado "Um olhar
sobre os Parques Nacionais Brasileiros" (2005) desenvolvido
como parte da disciplina Tópicos Especiais - Unidades de
Conservação do Centro de Desenvolvimento Sustentável
/ UnB.
Objetivos
Traçar um panorama dos espaços públicos
participativos durante o processo de criação dos Parques
Nacionais e da implementação de seus conselhos gestores
Metodologia
O trabalho foi elaborado principalmente com base
em informações levantadas em documentos institucionais
do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA. Cumpre ressaltar
os dados disponibilizados pela equipe técnica da Coordenação
Geral de Unidades de Conservação, da Diretoria de
Ecossistemas (IBAMA) e também os resultados da oficina sobre
"Gestão Participativa do Sistema Nacional de Unidades
de Conservação" (2004). Além dos dados
institucionais, foi realizado levantamento bibliográfico
sobre os instrumentos de participação da sociedade
civil nos processos de formulação e implementação
de políticas públicas.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
Atualmente, dos 55 parques nacionais, 22 possuem
conselhos gestores. Salles (2004), ao analisar o funcionamento de
alguns conselhos de Unidades de Conservação, aponta
que a organização da sociedade civil no entorno dos
parques e uma equipe gestora que priorize a utilização
de instrumentos participativos são fundamentais para o cumprimento
dos objetivos de criação destas áreas e para
a gestão integrada dos recursos naturais e culturais.
Cumpre salientar que o processo de constituição
dos conselhos gestores de Unidades de Conservação
deve primar pela definição clara e qualificada da
representatividade dos atores locais, pois muitas vezes estes espaços
deixam transparecer interesses de grupos particulares e assimetrias
econômicas, sociais e políticas entre seus membros.
Neste sentido, um dos principais desafios dos espaços de
participação é a potencialização
da capacidade das comunidades locais nos processos decisórios,
além da definição de canais de comunicação
e de processos de validação de conhecimentos que não
estejam circunscritos predominantemente ao domínio técnico-científico.
Jacobi (2001) argumenta que a participação social
está enquadrada no processo de redefinição
entre o público e o privado, visando à redistribuição
do poder em prol dos atores sociais que freqüentemente são
excluídos do processo.
Para ilustrar o processo de criação
e implementação dos conselhos consultivos, foram considerados
dois exemplos: Parque Nacional da Serra do Divisor (AC) e Parque
Nacional da Restinga de Jurubatiba (RJ). Embora o primeiro tenha
sido criado em 1989 e o segundo em 1998, seus conselhos foram estabelecidos
somente em 2002. No parque fluminense o processo da criação
do conselho foi decorrência da interpelação
das autoridades municipais contra a forma, considerada pouco democrática
e participativa, como a elaboração do plano de manejo
vinha sendo conduzida. No caso do parque acreano, a participação
dos representantes dos municípios e comunidades locais é
bastante incipiente. É interessante observar que no processo
de implementação dos conselhos nestas unidades, com
características muito diferentes, uma similaridade importante
foi salientada pelos conselheiros que diz respeito à oportunidade
de trocar experiências com os conselhos já instituídos
em outras áreas. A constatação da importância
do intercâmbio com outras realidades demonstra o quanto a
participação social na tentativa de estabelecer uma
gestão compartilhada de UC é um processo que necessita
de capacitação e experimentação por
parte de gestores e atores sociais.
Os conselhos gestores devem promover a co-responsabilização
na implementação das políticas públicas
e a inclusão social no que diz respeito ao manejo e acesso
aos bens públicos. Estes espaços públicos participativos
favorecem a aproximação entre a sociedade civil e
o Estado, a institucionalização do controle social
e o exercício da cidadania.
No que se refere ao processo de criação
dos Parques Nacionais, faz-se necessário a abordagem da consulta
pública como um processo contínuo de envolvimento
da sociedade, que vai muito além das reuniões públicas
e dos encontros pontuais com a comunidade. A categoria Parque Nacional,
embora a sua história evidencie alguns conflitos com relação
ao modelo adotado, tem sido promovida como um vetor de desenvolvimento
local, ancorada principalmente nos efeitos multiplicadores que a
visitação nestas áreas pode ocasionar para
as comunidades afetadas por sua criação. Neste sentido,
em termos de geração de renda e de melhoria da qualidade
de vida das populações locais, a apologia ao turismo
tem se consolidado como um dos principais argumentos para "conquistar"
adeptos à criação destas áreas.
Referências bibliográficas
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Gestão
Participativa do SNUC. Áreas Protegidas do Brasil nº2.
Brasília, 2004.
SALES, R. Consultas Públicas &
Conselhos Gestores de Unidades de Conservação-Relatório
de Consultoria do Projeto PNUD BRA 00/009. Brasília: IBAMA,
2004.(não publicado).
ZIMMERMAN, A.; RODRIGUES, C. G de Oliveira;
GAZONI, J.; ANDRADE, J. Um olhar sobre os Parques Nacionais Brasileiros.
Centro de Desenvolvimento Sustentável/ Universidade de Brasília.
Brasília, 2005. (no prelo)
JACOBI, P. Espaços Públicos e
Práticas Participativas na Gestão do Meio Ambiente
no Brasil. In: Sociedade e Estado / Departamento de Sociologia da
Universidade de Brasília.Brasília, 2003.
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Camila G. de Oliveira Rodrigues: camirodrigues@hotmail.com ou camila.rodrigues@mma.gov.br.
SQN 215, Bl. G, apto. 312. 70874-070. Brasília (DF).
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