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CONSTRUINDO
AS BASES PARA A GESTÃO COMPARTILHADA DO PARNA MONTE PASCOAL/TI
PATAXÓ - CRIANDO UM MODELO PARA A CONSERVAÇÃO
EM TERRAS INDÍGENAS NA MATA ATLÂNTICA
Jean-François Timmers - consultor
NAPMA/MMA;
Milene.Maia Oberlaender - gerente do PARNA Monte Pascoal;
Phillip Reed - consultor DAP/MMA;
Oscar Artaza Barrios - coordenador técnico da Associação
Flora Brasil
Contexto do trabalho e justificativa
A falta de instrumentos e de mecanismos efetivos
para uma gestão compartilhada, participativa e integrada
de Unidades de Conservação (UCs) de Proteção
Integral sobrepostas a Terras Indígenas resulta em danos
consideráveis, tanto para os ecossistemas protegidos por
estas UCs quanto para a qualidade de vida dos povos indígenas
(Santilli, 1999, Timmers, 2005). Inserido num contexto emblemático
desta situação, o PARNA Monte Pascoal, sobreposto
a terras tradicionalmente ocupadas pelos índios Pataxó,
consiste em uma experiência inovadora e pioneira para a implementação
plena do SNUC e dos compromissos do país diante da CDB na
região, podendo servir de modelo para ações
semelhantes na Mata Atlântica e em outros biomas no Brasil
(Timmers, 2005).
Objetivos
Geral - Contribuir para a criação de
condições adequadas para a co-gestão efetiva
do Parque Nacional Monte Pascoal.
Específicos - Contribuir para o manejo sustentável
dos recursos naturais da TI no entorno do Parque; Aumentar a qualidade
de vida da população indígena residente no
entorno do Parque Nacional de Monte Pascoal; Fomentar a criação
de políticas públicas para a efetiva co-gestão
de unidades de conservação sobrepostas a Terras Indígenas
e o desenvolvimento de estratégias de conservação
em outras Terras Indígenas no Brasil e estabelecer uma relação
de co-responsabilidade da comunidade e instituições
para com a preservação da unidade e melhoria das aldeias.
Metodologia
Foi desenvolvido um conjunto de ações
integradas incluindo: capacitação, mobilização
e sensibilização da população Pataxó
no entorno do Monte Pascoal para a gestão compartilhada do
Parque e a utilização sustentável dos recursos
naturais nas aldeias (GTZ, 2003, Lima, 1996, Vieira & Weber,
1997, Weber, 1995, Wells & Brandon 1995); implementação
de 346 ha. de plantios alimentares em 10 aldeias, com transição
para sistemas agroflorestais e utilização de outras
técnicas de agroecologia; recuperação de áreas
degradadas dentro e no entorno do Parque; desenvolvimento de alternativas
de geração de renda nas áreas de artesanato
não-madeireiro e ecoturismo; incentivo para a organização
comunitária e associativismo; criação de uma
brigada Pataxó de prevenção e combate a incêndios
florestais; formação de 30 Agentes Ambientais Voluntários;
18 casas de farinha em processo de implantação; 18
viveiros de mudas de espécies nativas e frutíferas/hortas
em processo de implementação.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
Este Projeto é inovador, pela sua metodologia
e dimensão. Os seus principais resultados concretos, em 2
anos são: segurança alimentar para a maioria das famílias
Pataxó no entorno do Parque (cerca de 558 famílias,
aproximadamente 77% do total); desenvolvimento de metodologia própria
para plantios alimentares em SAF; redução significativa
das queimadas e da propagação de fogo no Parque e
entorno; criação de 4 novas associações
Pataxó, articulação e sensibilização
crescente dos Pataxó com a preservação do Parque
do Monte Pascoal. No Brasil, existem mais de 600 TIs, cobrindo 20,96%
da Amazônia e 12,5 % do território nacional, muitas
das quais sobrepostas a UCs (Bensusan 2005). A Lei do SNUC introduziu
modificações importantes na política de criação
e gestão de UCs, no sentido de assegurar uma maior e efetiva
participação da sociedade nesses processos, reforçando
a convicção de que a participação da
sociedade, incluindo as comunidades locais, é essencial para
o sucesso a longo prazo da estratégia de conservação
baseada em UCs e cumprindo de forma integrada os compromissos assumidos
pelo país na CDB (MMA 2004). No seu Artigo 5º deve ser
assegurada a participação efetiva das populações
locais na criação, implantação e gestão
de UCs (inciso III), assim como devem ser incentivadas as populações
locais e as organizações privadas a estabelecerem
e administrarem UCs dentro do sistema nacional (inciso V). Porém,
existem poucas experiências no Brasil que efetivam o espírito
desta legislação. Além disso, o SNUC não
prevê formas de compatibilizar, legalmente e concretamente,
a sobreposição de UC´s e TI´s (Santilli,
1995). Neste sentido, o Projeto aqui apresentado, viabilizando a
participação efetiva na proteção e o
sentimento de responsabilidade sobre o Parque, é uma das
primeiras experiências de gestão ambiental por populações
indígenas no país e contribuirá à formulação
de diretrizes para concretizar políticas públicas
e ao desenvolvimento de instrumentos e mecanismos efetivos para
a gestão compartilhada, participativa e integrada de Unidades
de Conservação (UCs) de Proteção Integral
sobrepostas a Terras Indígenas e outras estratégias
de conservação em TIs no país.
Ação financiada conjuntamente pelo
Projeto UTF 047/SubProjeto 03 MMA/FAO, coordenado pela Diretoria
de Áreas Protegidas do MMA; pelos PARNA Monte Pascoal, Coordenação
Geral de Unidades de Conservação - CGEUC/DIREC e PREVFOGO
do IBAMA; pelo Projeto CBC 032 da Associação Flora
Brasil, em cooperação com a Conservação
Internacional - CI Brasil.
Jean-François Timmers. jftimmers@hotmail.com
. Rua Rui Barbosa 1107, Centro, 45.836-000 Itamaraju/BA.
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