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ANÁLISE DA GOVERNANÇA NOS PARQUES NACIONAIS DO NORDESTE
Elizabeth Oliveira (UFRJ/IP/EICOS);
Éser Pacheco (UFRJ/IP/EICOS);
Christiane Stock (UFRJ/IP/EICOS);
Larissa Fernandes (UFRJ/IP/EICOS);
Marta de Azevedo Irving (UFRJ/IP/EICOS)
Este trabalho teve como principais objetivos a análise da
gestão dos Parques Nacionais no Nordeste do Brasil à
luz do conceito de governança, verificando a existência
ou não de instrumentos como conselho de gestão, plano
de manejo e outros, além da apresentação de
sugestões para a criação de políticas
públicas que garantam o pleno funcionamento das Áreas
Protegidas e a participação da sociedade nas decisões.
Pelo que foi constatado durante as entrevistas por telefone, ou
via e-mail, na região a insuficiência de instrumentos
necessários à própria gestão pública,
como recursos financeiros e infra-estrutura, tem dificultado o trabalho
de articulação e coordenação de parcerias.
Foi verificado entre os Parques Nacionais pesquisados
no Nordeste que a maioria não possui plano de manejo e conselho
de gestão, além de outros instrumentos, e que essa
realidade prejudica o alcance de uma adequada governança
pois o controle da efetividade das decisões deveria ser feito
não só através da fiscalização
estatal, mas também, pela participação das
instituições da sociedade civil e das próprias
comunidades.
Observou-se também que as pressões
das comunidades existentes no entorno dos Parques são maiores
quando estão envolvidas questões relativas à
sua própria subsistência. Se as áreas dos Parques
relacionam-se aos interesses de grupos que extraem delas os recursos
para sua subsistência, a mobilização acontece
quase sempre em resistência à presença do poder
público. O que indica que uma das questões mais urgentes
a serem resolvidas é a situação fundiária,
bem como o estabelecimento de condições de utilização
sustentável dos recursos naturais.
Uma vez que o processo de governança começa
com o desenvolvimento de identidades democráticas as principais
sugestões apontadas dizem respeito à maneira como
o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) se faz presente nos Parques Nacionais.
Uma das propostas é de que o órgão ambiental
assuma o papel de protagonista na formação dos conselhos.
A implementação de conselhos deve ser atividade prioritária
na gestão dos parques e é necessário ter-se
clareza de que sua existência é condição
essencial para que a Unidade seja realmente caracterizada como um
espaço de interesse público.
Possibilitar ao IBAMA a execução dessa
tarefa implica destinar-lhe, de modo especial, os recursos comunicativos
necessários ao processo de articulação comunitária.
Tais recursos incluem computadores interligados à internet,
pois é exemplar que a ausência desse recurso tenha
inviabilizado a pronta resposta de alguns parques à presente
pesquisa.
O incremento desses processos comunicativos inclui
a atualização dos dados disponíveis nos sites
dos parques, para que a população tenha acesso a informações
mais precisas sobre o histórico da Unidade, conflitos e instrumentos
de gestão.
Os recursos materiais, entretanto, não surtirão
efeito se não se capacitar os gestores a melhorar o processo
de comunicação com o público externo. Essa
melhoria virá, na medida em que se desenvolver no IBAMA e
para o público externo uma identidade que não esteja
relacionada prioritariamente à fiscalização,
mas à gestão do patrimônio público. Na
identidade do IBAMA, é preciso enfatizar-se menos o papel
de polícia ou fiscal que o de gestor comunitário do
bem público.
Na articulação com os atores sociais,
tudo indica que aumentar as parcerias com instituições
de educação pode favorecer um maior repasse de informações,
transformadas em formação e educação
ambiental. Se a participação comunitária fica
prejudicada pela frágil atuação de seus representantes
como elos de ligação junto aos conselhos gestores,
a educação ambiental comunitária favoreceria,
em médio prazo, um controle mais efetivo das decisões,
ultrapassando-se a simples fórmula da regulamentação
de sanções através dos regimentos internos.
Ao mesmo tempo, as políticas de utilização
dos recursos naturais renováveis devem estabelecer critérios,
contemplados nos planos de manejo, para o uso sustentável
de pequenas comunidades que utilizam recursos dos parques para sua
subsistência. Em outras palavras, a política de parques
nacionais proposta aqui possui um forte enfoque comunitário
em todas as instâncias, inclusive com a concepção
de que um parque natural pode ser também espaço para
a construção de formas sustentáveis de vida
para as comunidades que fixaram ali suas raízes.
Referências Bibliográficas
BAUMAN, Zygmunt. Ética pós-moderna.
São Paulo: Paulus, 1997.
BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança
no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
MILANI, Carlos R. S. Governança global e meio
ambiente: como compatibilizar economia, política e ecologia.
In: NEVES, Carlos Augusto dos Santos e outros. Governança
global: reorganização da política em todos
os níveis de ação. São Paulo: Fundação
Konrad-Adenauer, 1999. (Série Pesquisas, nº 16).
FREY, Klaus. Governança urbana e participação
pública. Xerografado, s/d.
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Elizabeth Oliveira: elizabetholiverbr@yahoo.com.br. Rua Prof.Oscar
Clark, 413/201, Vila da Penha, RJ/RJ, CEP 21235-710
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