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ANÁLISE
DO NÍVEL DE GOVERNANÇA DOS PARQUES NACIONAIS E ESTADUAIS
DA REGIÃO CENTRO-OESTE DO BRASIL
Altair Sancho (UFRJ/IP/EICOS)
André Micaldas Corrêa (UFRJ/IP/EICOS)
Claudia Fragelli (UFRJ/IP/EICOS)
Marta de Azevedo Irving (UFRJ/IP/EICOS)
O presente trabalho foi elaborado como atividade
de conclusão da disciplina Gestão Ambiental e faz
parte do projeto de Análise do Nível de Governança
dos Parques Nacionais do Brasil, do Eixo de Pesquisa de Inclusão
Social do Programa de Estudos Interdisciplinares de Comunidades
e Ecologia Social (EICOS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
As questões concernentes à governança
e à participação social em áreas protegidas
são temas que, apenas recentemente, encontram-se presentes
nos documentos oficiais de políticas públicas de meio
ambiente no Brasil. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação
(Lei 9985/2000), principal instrumento regulador de gestão
e manejo de áreas protegidas, tem, entre seus objetivos,
a conservação da biodiversidade, do meio ambiente
e a promoção do desenvolvimento sustentável
(MMA,2002). Entretanto, algumas dificuldades tem sido enfrentadas
para a efetiva implementação de suas diretrizes, tanto
em nível federal quanto estadual. Neste contexto, a presente
pesquisa teve como proposta realizar uma análise situacional
dos Parques Nacionais e Estaduais da região Centro-Oeste
do Brasil, segundo a concepção de governança,
com o intuito de apreender o grau de eficiência na gestão
dessas áreas, o cumprimento de seus fins para a conservação
da biodiversidade e dos recursos culturais agregados, além
de subsidiar propostas de políticas públicas que auxiliem
os processos participativos na criação e gestão
de áreas protegidas.
Tendo em vista que o conceito de governança
está vinculado a representações sociais, portanto
subjetivas e diversas, sua definição e aplicação
não se baseiam em consenso teórico ou empírico.
Para nortear as análises na pesquisa, foi adotado o conceito
de governança expresso no Acordo de Durban , por este permitir
sua aplicação a todos os níveis de gestão
de áreas protegidas (regional, nacional e mundial), bem como
priorizar os processos democráticos, a ética, a resolução
de conflitos, a noção de responsabilidade e a inclusão
social. Assim entendida, a governança, na gestão de
Parques Nacionais brasileiros, foi analisada à luz das novas
diretrizes apresentadas pela Lei 9.985 - que instituiu o Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) - que enfatiza
a participação e o controle social na criação
e gestão de Áreas Protegidas.
Existe uma lacuna referente às metodologias
para análise da gestão de áreas protegidas
no Brasil, que se deve, em parte, à recente incorporação
das questões socioambientais à agenda de conservação
de áreas protegidas. Portanto, foi necessária a construção
de metodologia específica que respondesse aos questionamentos
da pesquisa. Os Conselhos gestores, os Planos de Manejo e as Consultas
Públicas foram priorizados nesta pesquisa como espaços
privilegiados para o exercício de participação.
Desse modo, através de análise documental
- visando compor um panorama do contexto regional no qual os parques
nacionais e estaduais se inserem - foram levantadas as unidades
da federação onde estas se localizam; decretos de
criação; área; municípios envolvidos
e biomas presentes. Para a coleta de dados sobre os Planos de Manejo,
Conselhos gestores e Planos de ação, foram aplicados
questionários aos gestores dos parques nacionais e estaduais
por e-mail, fax e/ou realizada entrevista por telefone. Todos os
resultados foram agrupados em tabelas, sintetizados em gráficos
e analisados com relação à governança.
Como fator de limitação da pesquisa destaca-se a dificuldade
na obtenção de dados e a carência de informações
documentadas atualizadas. Este fator revelou o ineditismo da pesquisa
e reforçou a oportunidade do trabalho como subsídio
às políticas públicas e como auxiliar na sistematização
de dados sobre áreas protegidas nos níveis nacional,
e, principalmente, estaduais. Desse modo o presente trabalho se
caracteriza como instância de diálogo e troca de experiências
e metodologias entre a academia, gestores, organismos governamentais
e sociedade civil.
De forma geral, os dados obtidos indicam que, nas
unidades investigadas, o conceito e as práticas de governança
ainda não se encontram presentes em toda a sua extensão.
A maioria dos Parques Nacionais ainda não possui plano de
manejo, conselho gestor e regimento interno, enfrentando sérios
problemas como a falta de profissionais qualificados, incapacidade
de fiscalização, ausência de infra-estrutura
adequada, falta de sinalização e escassez de verbas
para investimentos no parque. Concluímos que é de
fundamental importância para a efetiva implementação
das diretrizes apresentadas na Lei do SNUC e para a real proteção
da biodiversidade e do meio ambiente brasileiros, a articulação
das políticas, programas e projetos entre as esferas de governo
e diferentes setores da sociedade civil (ong's, instituições
de ensino e pesquisa, empresas privadas e comunidades locais), a
consolidação desse Sistema, bem como a inclusão
do tema governança nos processos participativos de criação
e gestão de áreas protegidas do Brasil.
Referências bibliográficas
BRASIL.MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA):
SISTEMA Nacional de Unidades de Conservação da Naturezaa
- SNUC: Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000; decreto nº
4.340, de 22 de agosto de 2002. 3ª ed. Aum Brasília
- MMA/SBF, 2003.52P.
V CONGRESO MUNDIAL DE PARQUES DE LA UICN - (Unión
Mundial para La Naturaleza), Acuerdo de Durban. Durban, República
de Sudáfrica, 2003.
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Altair Sancho altairsancho@hotmail.com . Av. Nossa Senhora de Copacabana,
945/407. 22060-002 Rio de Janeiro, RJ.
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