| EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NA GESTÃO PARTICIPATIVA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Nahyda Franca
(Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas,
IBASE/ RJ)
Contexto do trabalho e justificativa
No ano de 2001, o Núcleo de Educação
Ambiental do IBAMA Rio de Janeiro (NEA/RJ), em consonância
com a Coordenação Geral de Educação
Ambiental do IBAMA de Brasília, iniciou um processo amplo
de discussão acerca da gestão participativa e da função
dos conselhos em unidades de conservação, que contou
com a colaboração de diversos agentes sociais governamentais
e não-governamentais. O principal resultado desse debate
foi a definição de um projeto experimental e pioneiro
de Educação Ambiental na Gestão Participativa,
realizado pela equipe de consultores do Instituto Brasileiro de
Análises Sociais e Econômicas (Ibase) - Carlos Frederico
Loureiro, Marcus Azaziel e Nahyda Franca, junto ao Conselho Consultivo
do PARNA da Restinga de Jurubatiba e o Núcleo de Educação
Ambiental - NEA/ IBAMA/RJ, no segundo semestre de 2002.
Esta iniciativa piloto em Jurubatiba gerou as bases
conceituais e metodológicas que hoje dão suporte ao
andamento de novas ações em outras unidades de conservação
nas quais se efetua um trabalho nessa perspectiva de fortalecimento
dos conselhos consultivos ou deliberativos para a concretização
da gestão participativa por meio da Educação
Ambiental.
Em 2004 a mesma equipe do Ibase foi solicitada pelo
IBAMA/RJ / PARNA Tijuca a contribuir na elaboração
de uma proposta de re- estruturação e fortalecimento
do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Tijuca (PNT), no âmbito
do Projeto "Água em Unidade de Conservação".
Este Projeto, patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, começou
a ser desenvolvido em 2005, pelo PNT e Instituto Terrazul e em parceria
com diferentes instituições. O Ibase, nesta nova atuação
agora, junta-se aos parceiros envolvidos com o PNT para impulsionar
a recomposição e o fortalecimento da ação
do seu Conselho Consultivo, incorporando à equipe de consultores,
Laila Mendes, Joelma Souza e Claudia Fragelli.
A conseqüência maior desse trabalho junto
às Unidades de Conservação é tornar
os seus Conselhos não só em instrumentos e ambientes
favoráveis à sua gestão democrática
como também, concomitantemente, dotá-los de maior
representatividade, incluindo grupos jurídica e politicamente
relevantes, e capacidade operacional. O papel do Ibase tem sido
o de criar as condições necessárias que facilitem
a interlocução entre os diferentes atores envolvidos
para que possam imprimir um novo formato às políticas
públicas e ao processo de tomada de decisão.
Objetivo
Instaurar um processo educativo que promova a Gestão
Participativa e Democrática de Unidades de Conservação,
ajudando a ampliar a interlocução entre agentes internos
e externos à Unidade, capaz de responder às necessidades
de desenvolvimento sustentável local com justiça socioambiental,
respeitando as características legais da U.C
Metodologia
A metodologia proposta pelo Ibase, em consonância
com a Coordenação Geral de Educação
Ambiental do IBAMA, para atuação em U.C. parte da
criação coletiva de um espaço sistemático
de conversação, explicitação e negociação
de diferentes interesses e da aprendizagem compartilhada, envolvendo
variados saberes e referências. Através de práticas
e metodologias participativas, busca-se alternativas técnicas
e políticas capazes de alterar práticas inadequadas
e fortalecer a gestão democrática da U.C.
A Educação Ambiental é utilizada
como um instrumento que contribui para disponibilizar informações
qualificadas e atualizadas; compartilhar percepções
e compreensões e ampliar a capacidade de diálogo e
de atuação conjunta comprometida com a missão
de uma U.C.
São quatro as etapas do trabalho, adaptáveis
às características específicas da Unidade de
Conservação contemplada.
1- Elaborar um Diagnóstico da realidade socioambiental
vivida pelos agentes da ação educativa, que resulte
da interlocução entre diferentes agentes sociais,
com envolvimento direto ou indireto na conservação
e utilização dos recursos naturais da Unidade, tendo
como referência metodológica quatro conceitos principais:Vulnerabilidade
socioambiental, Potencialidade socioambiental, Problema e Conflito
Socioambiental.
2- Definir coletivamente a dinâmica de funcionamento
do Conselho da unidade de conservação através
de processos múltiplos de mobilização e capacitação.
3-Construir, através de metodologia de planejamento
participativo, um Plano de Ação, junto com os membros
do Conselho para a resolução de problemas, conflitos
e fomento de potencialidades socioambientais.
4- Acompanhar a implementação do Plano
de Ação e fortalecer suas ações através
de Programa de Educação Continuada envolvendo os membros
do Conselho e parceiros estratégicos.
5- Com base nas experiências implementadas
buscar aperfeiçoar uma metodologia de fortalecimento dos
conselhos de U.C. para a concretização da gestão
participativa, por meio da educação ambiental, que
possa ser aplicada em outras unidades do país.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
Qualificar grupos, pessoas e atores estratégicos
com capacidade de intervir em processos que contribuem para a construção
de uma sociedade mais democrática é uma necessidade
em nosso país.
Espaços colegiados e descentralizados de
gestão, assim como conselhos de direitos, são instâncias
privilegiadas do exercício da democracia e da participação.
Neste sentido, atuar nesses espaços coletivos e particularmente,
em ações voltadas para o fortalecimento da gestão
participativa em Unidades de Conservação, contribui
para ampliar o controle social na elaboração e execução
de políticas públicas, fortalecendo a participação
coletiva dos cidadãos, na gestão do uso dos recursos
ambientais e nas decisões que interferem na qualidade e acesso
desses usos.
Referências Bibliográfica
Loureiro, C. Frederico. Azaziel, Marcus. Franca,
Nahyda. Educação Ambiental e GestãoParticipativa
em Unidades de Conservação - IBAMA / IBASE / Rio de
Janeiro, 2003
IBAMA. Como o Ibama exerce a educação
ambiental - Edições IBAMA, Brasília, 2002
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