| EDUCAÇÃO
AMBIENTAL E GESTÃO PARTICIPATIVA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
FEDERAIS DO BRASIL
Sultane Maria Mussi
(Programa EICOS/Instituto de Psicologia/UFRJ)
Thaís Maria Salmito Lafaille
(Núcleo de Educação Ambiental do IBAMA/RJ)
Waleska de Oliveira Leal
(Núcleo de Educação Ambiental do IBAMA/RJ)
Renata de Faria Brasileiro
(Parque Nacional da Serra dos Órgãos/RJ)
Este trabalho relata a experiência do Núcleo
de Educação Ambiental da Gerência Executiva
do IBAMA/RJ (NEA/RJ) de acordo com as diretrizes da Coordenação
Geral de Educação Ambiental do IBAMA (CGEAM) relativas
à Educação Ambiental e Gestão Participativa
em Unidades de Conservação.
No ano de 2001 teve início uma ampla discussão
sobre Educação no Processo de Gestão Ambiental
enfocando os conselhos em Unidades de Conservação
(UC) que contou com a colaboração de diversos atores
sociais governamentais e não-governamentais. O principal
resultado desse debate foi a definição de um projeto
experimental e pioneiro realizado pela equipe do NEA/RJ e por consultores
do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase). O projeto "Educação para Gestão
Participativa nas Unidades de Conservação do Rio de
Janeiro, através da Implementação, Capacitação
e Fortalecimento de Conselhos" foi executado no Parque Nacional
(PARNA) da Restinga de Jurubatiba, no segundo semestre de 2002.
Tal projeto atendeu aos seguintes objetivos:
- Formulação das bases conceituais
que situam a educação ambiental no âmbito da
Gestão Ambiental Democrática de Unidades de Conservação,
tendo como espaço institucional privilegiado para isso os
conselhos consultivos ou deliberativos previstos no Sistema Nacional
de Unidade de Conservação (SNUC)
- Realização de um planejamento participativo
com os conselheiros do PARNA da Restinga de Jurubatiba, visando
a construção coletiva de um Diagnóstico Sócio-ambiental
do PARNA Jurubatiba e a definição um plano de ação
para o fortalecimento do seu conselho consultivo.
- Geração de metodologia participativa
- A proposta metodológica foi o resultado da Oficina de Planejamento
Participativo que marcou o início de um programa de educação
continuada com o objetivo de promover a emancipação
e o fortalecimento da participação efetiva no funcionamento
do Conselho. Foram realizadas várias ações
de capacitação para os conselheiros cujos temas foram
retirados a partir dos problemas concretos enfrentados na prática
pelos atores sociais. A metodologia foi registrada em um livro organizado
e editado pelo IBASE e reeditado pelo IBAMA em abril de 2005 - "Educação
Ambiental e Gestão Participativa em Unidades de Conservação".
O objetivo de se aplicar procedimentos metodológicos
compatíveis com a gestão participativa em UC é
o de criar condições para que os conselhos sejam efetivamente
representativos, com a participação dos diferentes
segmentos da sociedade, principalmente dos grupos geralmente excluídos
dos processos decisórios, imprimindo assim um novo formato
às políticas públicas.
Os conselhos favorecem a ampliação
do espaço público diferente do espaço estatal/governamental,
incorporando uma pluraridade de atores e diferentes interesses,
estabelecendo uma nova relação entre governo e sociedade
no que se refere às políticas setoriais.
Ao situar a Educação Ambiental no
âmbito da Gestão Ambiental Democrática de Unidades
de Conservação através de seus conselhos, ocupamos
o espaço de ensino-aprendizagem para propiciar condições
à participação individual e coletiva, nos processos
decisórios sobre o acesso e uso dos recursos ambientais.
A experiência de Jurubatiba representou um
marco importante para a Gestão Ambiental Pública de
UC, pois apontou para novas possibilidades de gestão dos
recursos ambientais, tendo na participação a possibilidade
de mediação de conflitos acerca de interesses diversos
sobre o uso desses recursos, levando à construção
de alianças entre os atores sociais envolvidos na busca da
sustentabilidade necessária à preservação
do Parque.
O sucesso do projeto piloto no PARNA Jurubatiba
e o conhecimento produzido a partir dele, possibilitou a ampliação
do espaço de aplicação da metodologia nas outras
UC do RJ coordenada pelo NEA/RJ.
A primeira atividade realizada foi um levantamento
da situação dos conselhos das UC Federais do Estado
do Rio, que permitiu a elaboração de um primeiro diagnóstico
geral.
A partir da análise do cenário construído
no inicio de 2004, foi possível classificar as 15 (quinze)
UC do Estado do RJ quanto à atuação de seus
conselhos, em três categorias:
Unidades do Tipo I - Unidades sem a portaria de formação
do conselho, ou com conselho formado e sem participação
- Oito UC equivalendo a 53% do total.
Unidades do Tipo II - Unidades com conselho formado
por portaria, com baixo grau de participação - Três
UC equivalendo a 20% do total.
Unidades do Tipo III - Unidades com conselho formado
por portaria, com alto grau de participação - Quatro
UC equivalendo a 27% do total.
Com base neste quadro foi realizada uma Oficina de
Planejamento com a rede de educadores do IBAMA/RJ para definição
de estratégias específicas para cada tipo de UC Federal
do Estado, conforme descrito abaixo:
Unidades do Tipo I
Identificação dos atores sociais envolvendo
o maior n° de segmentos possível garantindo a representatividade;
Mobilização dos atores sociais; Sensibilização
para o envolvimento da comunidade e Fortalecimento da organização
da comunidade visando participação no conselho.
Unidades do Tipo II
Convocação do conselho para discussão
da sua reestruturação; Identificação
de outros atores que poderão compor o conselho; Definição
participativa da recomposição do Conselho; Redefinição
de vagas por Setores/Grupos com interesses comuns, observando a
paridade, a titularidade e a suplência.
Unidades do Tipo III
Análise do cenário em que se insere
o Conselho através da realização de Diagnóstico
Socioambiental (ou atualização); Oficina de Planejamento
Participativo - Formulação da visão de futuro
e da missão do Conselho; Capacitação dos Conselheiros.
As estratégias foram aplicadas principalmente
nas UC de tipos I e II, resultando na seguinte mudança de
cenário:
Unidades do Tipo I - Quatro UC equivalendo a 27%
do total.
Unidades do Tipo II - Quatro UC equivalendo a 27% do total.
Unidades do Tipo III - Sete UC equivalendo a 46% do total.
Espera-se que esta experiência sirva de referência
para implementação da Educação Ambiental
no Processo de Gestão Participativa em Unidades de Conservação
uma vez que permite que os segmentos menos favorecidos possam ser
incluídos nos processos decisórios políticos
e econômicos, funcionando como um instrumento de luta contra
a exclusão social e promovendo assim uma distribuição
mais equilibrada dos benefícios relativos ao uso dos recursos
naturais.
Referência bibliográfica
LOUREIRO, C. F. et al Educação Ambiental
e gestão participativa em unidades de conservação.
2° ed. (revisada e atualizada). Rio de Janeiro: IBAMA,2005.
Sistema Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza - SNUC: LEI n° 9.985, de 18 de julho de 2000. Brasília:
MMA/SBF, 2000
Sistema Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza - SNUC: DECRETO n° 4.340, de 22 de agosto de 2002.
Brasília: MMA/SBF, 2002
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Sultane M. Mussi: sulmussi@yahoo.com.br Rua Barata Ribeiro, 94/303
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