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TURISMO
SUSTENTÁVEL DE BASE COMUNITÁRIA NA REGIÃO DO
PARQUE NACIONAL DA RESTINGA DE JURUBATIBA: PROJETO PILOTO QUISSAMÂ
Dalila Silva Mello
Maria Inês Paes Ferreira
Marisa Magalhães Pinto Carneiro da Silva
Germano Rangel
José Ricardo Pedruzzi e
Saulo Cristiano Barbosa (CEFET CAMPOS_UNED MACAE)
Contexto do trabalho e justificativa
Em 2002, um coletivo de atores sociais do Entorno
do PARNA Jurubatiba elaborou, com apoio do Fundo Nacional de Meio
Ambiente, um diagnóstico sócio-ambiental participativo
que subsidiou uma oficina de planejamento, a partir da qual foi
construído o Plano de Sustentabilidade do Entorno do PARNA
Jurubatiba (FERREIRA e MELLO, 2002). Na ocasião, como o Conselho
do Parque ainda não estava formado, o conselho gestor do
projeto acabou funcionando como um fórum de debates sobre
o Parque, que potencializou uma aproximação das instituições
parceiras entre si e com o Parque.
Desde então, este coletivo de atores, atualmente
legalmente instituídos no Conselho Consultivo do PARNA Jurubatiba,
vem se reunindo buscando juntar esforços para viabilizar
a implantação do Parque e a do Plano de Sustentabilidade,
que tem como projeto principal o turismo sustentável de base
comunitária no entorno do Parque. Além disso, a região
contém ainda diversos pequenos fragmentos de fisionomias
diversas do bioma Mata Atlântica que estão correndo
o risco de desaparecer.
Para além dos recursos naturais, também
o patrimônio cultural existente na região está
ameaçado, seja pelos impactos antrópicos diretos e/ou
indiretos decorrentes das atividades econômicas caracterizadas
pela alta concentração de capital, seja pela falta
de investimento em recursos materiais e humanos para sua conservação.
O projeto pretende enfrentar este problema estimulando
outra atividade econômica, o turismo, baseada em outro modelo
de desenvolvimento, o sustentável de base comunitária,
que escolhido pela comunidade em processo participativo, busca por
um lado superar a dilapidação do patrimônio
natural e cultural, e por outro a inclusão social.
No desenrolar deste processo, a ONG 3Hs (Homem,
Habitat, Harmonia), sediada no Município de Quissamã,
que contém 65% da área do PARNA Jurubatiba, em parceria
com a Prefeitura Municipal de Quissamã, O CEFET Campos/Unidade
Macaé, o IBAMA/PARNA Jurubatiba, o SEBRAE/RJ e o SENAC, com
a participação de várias representações
da comunidade, elaboraram um projeto piloto para Quissamã.
Recentemente, no segundo semestre de 2005, a notícia
da aprovação do projeto no edital do PDA Mata Atlântica,
trouxe muita motivação, pois os beneficiários
do projeto, que foram os próprios autores das políticas
públicas locais, viverão o desafio de serem co-responsáveis
pela concretização das ações propostas,
que foram construídas através de processos de planejamento
participativo.
Objetivos
O objetivo do projeto aqui relatado é contribuir
para a construção de um modelo de Turismo Sustentável
de Base Comunitária, a partir do fortalecimento das instâncias
locais de gestão participativa, de forma a gerar trabalho
e renda entre outros benefícios diretos à população
local, no sentido de auxiliar na consolidação do Parque
Nacional da Restinga de Jurubatiba; incentivar a criação
de outras Unidades de Conservação para proteger fragmentos
remanescentes da Mata Atlântica; preservar o patrimônio
histórico e cultural, relacionado principalmente ao Conjunto
Arquitetônico do Ciclo do Açúcar e às
manifestações folclóricas e gastronômicas
da comunidade quilombola, visando à minimização
da pressão antrópica sobre o Bioma Mata Atlântica.
Metodologia
A estratégica básica é a gestão
participativa (QUINTAS, 2000) e a capacitação dos
vários segmentos sociais em busca do aumento do capital social
local, que resulte numa incorporação das várias
dimensões da sustentabilidade no modelo econômico do
Município de Quissamã. Assim, numa virada copernicana,
os resultados socioeconômicos da presença de uma Unidade
de Conservação de Proteção Integral
poderão ser disseminados aos outros municípios da
região, como potencializadores da atividade econômica,
e não como entrave.
A postura ética diante dos atores e parceiros
locais do projeto constitui premissa central da perspectiva metodológica
adotada. Para tal, os parceiros são realmente entendidos
não apenas como beneficiários, mas também como
co-autores do projeto. Na verdade a própria equipe técnica
é formada por profissionais e ambientalistas regionais que
vêm acumulando experiência na elaboração
e execução de propostas, como alternativa de enfrentamento
aos problemas locais, numa região de intensa dinâmica
social, capitaneada pela impactante exploração de
petróleo. Para tal, o respeito aos seus valores éticos
e culturais representa responsabilidade essencial da iniciativa.
Com esse compromisso, a gestão do projeto deve ser capaz
de buscar mediar os diversos conflitos, interesses e usos, sem negligenciar
os segmentos comunitários, por vezes associados a formas
de organização ainda incipiente. Da mesma maneira,
toda e qualquer ação do projeto é compatível
com os acordos negociados durante todo o processo desde a fase de
planejamento.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
A vivência do processo de formação
do Conselho do PARNA Jurubatiba, e o atual processo de revitalização
do Conselho Municipal de Turismo de Quissamã, que terá
como missão cumprir o papel de " esfera pública"
na gestão do Projeto Piloto Quissamã, levam ao reconhecimento
dos conselhos enquanto componentes fundamentais na tomada de decisões
sobre o planejamento e a gestão de áreas protegidas.
O caráter deliberativo dos conselhos é
fundamental para a plena e eficaz participação das
comunidades e setores locais na implantação e gestão
das áreas protegidas (FERREIRA et.al., 2004), bem como para
o compartilhamento de benefícios resultantes da ocorrência
de tais áreas.
O equilíbrio entre a utilização
das áreas protegidas para o ecoturismo e a conservação
da natureza nestas áreas, depende mais de estar alicerçado
em projetos de planejamento e monitoramento da visitação,
bem construídos em processos participativos (TRAJBER, et.
al., 2004) com parâmetros e padrões transparentes,
com amplo esclarecimento aos ecoturistas e a comunidade, do que
de zoneamentos e planejamentos excessivamente restritivos, que reforçam
a dicotomia entre homem e natureza.
Referência bibliográfica
FERREIRA, Maria Inês Paes; MELLO, Dalila Silva
(Coord.). Jurubatiba Sustentável -Plano de Sustentabilidade
do Entorno do PARNA Jurubatiba. Brasília, DF: MMA/FNMA, 2002.
LOUREIRO, Carlos Frederico B. et al. Educação
Ambiental e Gestão Participativa em Unidades de Conservação.
2ª ed. ( revisada e atualizada). Rio de Janeiro: IBAMA, 2005.
TRAJBER, Rachel et. al. Deliberações
da Conferência Nacional de Meio Ambiente - 2003 - Comissão
Editorial: Brasília, DF: MMA, 2004.
QUINTAS, José Silva. "Meio ambiente e
cidadania". In: Pensando e Praticando a Educação
Ambiental na Gestão do Meio Ambiente, Brasília, DF,
Edições IBAMA, 2000.
FERREIRA, Iara Vasco et.al. (Org.). Gestão
participativa do SNUC. Brasília, DF: MMA - Diretoria do Programa
de Áreas Protegidas, 2004.
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