Publicado em dezembro de 2005



Realização

Apoio

OS CIRCUITOS DE TURISMO RURAL COMO MECANISMO DE CONSERVAÇÃO: O CASO DO PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS ÓRGÃOS.

André Micaldas Corrêa (UFRJ/IP/EICOS)
Marta de Azevedo Irving (UFRJ/IP/EICOS)

O presente trabalho foi elaborado como resumo da proposta de tese de mestrado do Programa de Estudos Interdisciplinares de Comunidades e Ecologia Social (EICOS), do Instituto de Psicologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Turismo pode ser definido como o deslocamento de uma ou mais pessoas de um local de origem para um destino para lazer, educação, cultura, com retorno a origem, envolvendo a prestação de um conjunto de serviços e da infra-estrutura própria para prestá-los. (MAGALHÃES 2001). Pode caracterizar-se pela possibilidade de gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais entre os quais podem ser citados: a melhoria da infra-estrutura, educação, instrução e organização, local até nacional e a conservação da identidade e dos patrimônios histórico, artístico, cultural e natural. Outra característica é a de sofrer inovações constantes em função da competitividade dos mercados e das exigências da demanda. O resultado dessas inovações é a segmentação da indústria e a necessidade de aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos. O Turismo Rural é um dos segmentos que mais cresce nessa indústria, haja vista, a criação até a data presente de dezessete Circuitos de Turismo Rural no Estado do Rio de Janeiro, uma ação do SEBRAE/RJ, em parceria com o poder público e com a Associação Brasileira de Turismo Rural - ABRATURR. Um circuito é uma associação de produtores e meios de hospedagem rurais com o objetivo de se auxiliarem mutuamente visando o desenvolvimento sustentável da localidade onde se encontram inseridos. A despeito de inúmeras discussões sobre a definição do termo, segundo a EMBRATUR, o Turismo Rural pode ser definido como "uma atividade multidisciplinar que se realiza no meio ambiente, fora das áreas intensamente urbanizadas sendo concebido por e com os habitantes do país em que se realiza". O meio rural vem ao longo das últimas décadas passando por uma enorme transformação que pode ser observada pelo aumento de produtividade em função da mecanização. Entretanto, a melhoria da qualidade de vida da população rural como um todo, não está diretamente relacionada com os índices de modernização da agricultura. Às vezes, ocorre o inverso, onde o homem substituído pela máquina, migra para as cidades e perde entre outros aspectos sua identidade e qualidade de vida e o ambiente passa a sofrer enorme degradação com uso de adubos, defensivos e perda da biodiversidade pela sua substituição por um ou poucos tipos de culturas. Entretanto, várias "atividades não agrícolas existentes no meio rural têm contribuído para aumentar a renda do agricultor" (ARAÚJO 2000) auxiliando muitas vezes na sua fixação no interior como o artesanato e o Turismo Rural. Nesse último, o espaço rural não é mais pensado apenas como um lugar produtor de mercadorias agrárias e ofertador de mão-de-obra (ARAÚJO op. cit.), mas um lugar de Turismo, para o que a Conservação Ambiental torna-se uma das bases dessa atividade, já que nenhum turista quer permanecer em lugar degradado, a não ser para estudo. Além disso, esse Turismo pode servir como elemento acelerador do grau de urbanização das áreas do interior dos estados, contribuindo para o desenvolvimento local e regional e conseqüentemente para a melhoria da qualidade de vida, desde que não leve a perda da identidade rural. Nesse caso a conservação é entendida como ato ou efeito de conservar que vem do latim conservare e significa resguardar de dano, decadência, deterioração, prejuízo. "conservação como a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis e dos ecossistemas e utilização racional do recursos naturais não renováveis com proteção dos ecossistemas explorados" (PAIVA, 1999). Entende-se por utilização dos recursos naturais renováveis de forma sustentável como a utilização desses recursos abaixo do nível de reposição e sem colocar em risco a sua produção. Uma das estratégias para a Conservação Ambiental e da Biodiversidade é a criação, implementação e gestão das Unidades de Conservação. Entre elas os Parques Nacionais, Unidades de Conservação de Proteção Integral, são de extrema importância, pois tem como objetivos a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental e de Ecoturismo (MMA 2000). A presente tese tem por objetivo identificar a relação entre os atores do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e dos quatro Circuitos de Turismo Rural do Rio de Janeiro do entorno a saber: a) Circuito Turístico do Cão Sentado, b) Circuito de Ecoturismo e Arte de Lumiar e São Pedro da Serra, c) Circuito Ecorural Ponte Branca e d) Circuito Turístico Tere-Fri. Como metodologias serão utilizadas: a) a observação participante e o levantamento de dados sócio-econômicos e ambientais existentes para identificar e caracterizar os Circuitos de Turismo Rural citados e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e seus atores; b) entrevista para identificar a relação entre as pessoas líderes dos Circuitos de Turismo Rural citados e os atores do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, dos órgãos ambientais e de Turismo relacionados e c) entrevistas e questionários semi-estruturados para identificar a relação entre os demais atores dos Circuitos de Turismo Rural citados e os turistas com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o significado e o processo de formação dos Circuitos, se ocorreram para os atores dos Circuitos benefícios com a implantação dos mesmos e o significado, o processo de criação e gestão e a participação de todos atores nessa Unidade de Conservação.

Referências bibliográficas

ARAÚJO, J. G. F. de.. ABC do Turismo Rural. Viçosa, Editora Aprenda Fácil, 2000, 138p..

MAGALHÃES, G.W..Pólos de ecoturismo: planejamento e gestão. São Paulo, Terragraph, 2001.

MMA - Ministério do Meio Ambiente. Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC. Grafimaq, Brasília, 2000, 32 p..

PAIVA, M. P.. Conservação da Fauna Brasileira. Editora Interciência, 1999, 260p..

-------------------
André Micaldas Corrêa - andremicaldas@ig.com.br

 

artigosbook review