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OS CIRCUITOS
DE TURISMO RURAL COMO MECANISMO DE CONSERVAÇÃO: O
CASO DO PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS ÓRGÃOS.
André Micaldas Corrêa
(UFRJ/IP/EICOS)
Marta de Azevedo Irving (UFRJ/IP/EICOS)
O presente trabalho foi elaborado como resumo da
proposta de tese de mestrado do Programa de Estudos Interdisciplinares
de Comunidades e Ecologia Social (EICOS), do Instituto de Psicologia,
da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Turismo pode ser definido
como o deslocamento de uma ou mais pessoas de um local de origem
para um destino para lazer, educação, cultura, com
retorno a origem, envolvendo a prestação de um conjunto
de serviços e da infra-estrutura própria para prestá-los.
(MAGALHÃES 2001). Pode caracterizar-se pela possibilidade
de gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais
entre os quais podem ser citados: a melhoria da infra-estrutura,
educação, instrução e organização,
local até nacional e a conservação da identidade
e dos patrimônios histórico, artístico, cultural
e natural. Outra característica é a de sofrer inovações
constantes em função da competitividade dos mercados
e das exigências da demanda. O resultado dessas inovações
é a segmentação da indústria e a necessidade
de aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos. O Turismo
Rural é um dos segmentos que mais cresce nessa indústria,
haja vista, a criação até a data presente de
dezessete Circuitos de Turismo Rural no Estado do Rio de Janeiro,
uma ação do SEBRAE/RJ, em parceria com o poder público
e com a Associação Brasileira de Turismo Rural - ABRATURR.
Um circuito é uma associação de produtores
e meios de hospedagem rurais com o objetivo de se auxiliarem mutuamente
visando o desenvolvimento sustentável da localidade onde
se encontram inseridos. A despeito de inúmeras discussões
sobre a definição do termo, segundo a EMBRATUR, o
Turismo Rural pode ser definido como "uma atividade multidisciplinar
que se realiza no meio ambiente, fora das áreas intensamente
urbanizadas sendo concebido por e com os habitantes do país
em que se realiza". O meio rural vem ao longo das últimas
décadas passando por uma enorme transformação
que pode ser observada pelo aumento de produtividade em função
da mecanização. Entretanto, a melhoria da qualidade
de vida da população rural como um todo, não
está diretamente relacionada com os índices de modernização
da agricultura. Às vezes, ocorre o inverso, onde o homem
substituído pela máquina, migra para as cidades e
perde entre outros aspectos sua identidade e qualidade de vida e
o ambiente passa a sofrer enorme degradação com uso
de adubos, defensivos e perda da biodiversidade pela sua substituição
por um ou poucos tipos de culturas. Entretanto, várias "atividades
não agrícolas existentes no meio rural têm contribuído
para aumentar a renda do agricultor" (ARAÚJO 2000) auxiliando
muitas vezes na sua fixação no interior como o artesanato
e o Turismo Rural. Nesse último, o espaço rural não
é mais pensado apenas como um lugar produtor de mercadorias
agrárias e ofertador de mão-de-obra (ARAÚJO
op. cit.), mas um lugar de Turismo, para o que a Conservação
Ambiental torna-se uma das bases dessa atividade, já que
nenhum turista quer permanecer em lugar degradado, a não
ser para estudo. Além disso, esse Turismo pode servir como
elemento acelerador do grau de urbanização das áreas
do interior dos estados, contribuindo para o desenvolvimento local
e regional e conseqüentemente para a melhoria da qualidade
de vida, desde que não leve a perda da identidade rural.
Nesse caso a conservação é entendida como ato
ou efeito de conservar que vem do latim conservare e significa resguardar
de dano, decadência, deterioração, prejuízo.
"conservação como a utilização
sustentável dos recursos naturais renováveis e dos
ecossistemas e utilização racional do recursos naturais
não renováveis com proteção dos ecossistemas
explorados" (PAIVA, 1999). Entende-se por utilização
dos recursos naturais renováveis de forma sustentável
como a utilização desses recursos abaixo do nível
de reposição e sem colocar em risco a sua produção.
Uma das estratégias para a Conservação Ambiental
e da Biodiversidade é a criação, implementação
e gestão das Unidades de Conservação. Entre
elas os Parques Nacionais, Unidades de Conservação
de Proteção Integral, são de extrema importância,
pois tem como objetivos a preservação de ecossistemas
naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica,
possibilitando a realização de pesquisas científicas
e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação
ambiental e de Ecoturismo (MMA 2000). A presente tese tem por objetivo
identificar a relação entre os atores do Parque Nacional
da Serra dos Órgãos e dos quatro Circuitos de Turismo
Rural do Rio de Janeiro do entorno a saber: a) Circuito Turístico
do Cão Sentado, b) Circuito de Ecoturismo e Arte de Lumiar
e São Pedro da Serra, c) Circuito Ecorural Ponte Branca e
d) Circuito Turístico Tere-Fri. Como metodologias serão
utilizadas: a) a observação participante e o levantamento
de dados sócio-econômicos e ambientais existentes para
identificar e caracterizar os Circuitos de Turismo Rural citados
e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e seus atores;
b) entrevista para identificar a relação entre as
pessoas líderes dos Circuitos de Turismo Rural citados e
os atores do Parque Nacional da Serra dos Órgãos,
dos órgãos ambientais e de Turismo relacionados e
c) entrevistas e questionários semi-estruturados para identificar
a relação entre os demais atores dos Circuitos de
Turismo Rural citados e os turistas com o Parque Nacional da Serra
dos Órgãos, o significado e o processo de formação
dos Circuitos, se ocorreram para os atores dos Circuitos benefícios
com a implantação dos mesmos e o significado, o processo
de criação e gestão e a participação
de todos atores nessa Unidade de Conservação.
Referências bibliográficas
ARAÚJO, J. G. F. de.. ABC do Turismo Rural.
Viçosa, Editora Aprenda Fácil, 2000, 138p..
MAGALHÃES, G.W..Pólos de ecoturismo:
planejamento e gestão. São Paulo, Terragraph, 2001.
MMA - Ministério do Meio Ambiente. Sistema
Nacional de Unidades de Conservação - SNUC. Grafimaq,
Brasília, 2000, 32 p..
PAIVA, M. P.. Conservação da Fauna
Brasileira. Editora Interciência, 1999, 260p..
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André Micaldas Corrêa - andremicaldas@ig.com.br
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