| VISITAÇÃO
EM PARQUES NACIONAIS: OPORTUNIDADE PARA PARTICIPAR, VIVENCIAR E
CONSERVAR.
Andrea Zimmermann (CDS/UnB)
Camila G. de Oliveira Rodrigues (CDS/UnB)
Júlio de Andrade (CDS/UnB)
Contexto do trabalho e justificativa:
Este artigo é um desdobramento do trabalho
intitulado "Um olhar sobre os Parques Nacionais Brasileiros"
(2005) desenvolvido para a disciplina Tópicos Especiais -
Unidades de Conservação do Centro de Desenvolvimento
Sustentável / UnB.
Ele foi elaborado no intuito de discutir a visitação
em Parques Nacionais (PARNA) como estratégia para estreitar
a relação entre a sociedade e esse tipo de Unidade
de Conservação (UC).
Objetivos:
Realizar uma reflexão sobre a visitação
em Parques Nacionais como fator de envolvimento da sociedade na
proteção do meio ambiente e para estímulo à
prática da cidadania.
Metodologia:
O trabalho foi pautado em análises de dados
secundários principalmente em informações obtidas
em documentos institucionais e dados da Diretoria de Áreas
Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e da Diretoria
de Ecossistemas do IBAMA.
Igualmente importante foi a revisão bibliográfica
sobre o tema a fim de obter referenciais para relacionar a discussão
com a elaboração de políticas públicas
para a gestão de UC.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas:
A busca por ambientes naturais para prática
de atividades recreativas é secular. No Brasil, a primeira
ascensão à Pedra do Sino localizada onde hoje é
o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ) foi realizada
em 1841, cerca de cem anos antes da criação do primeiro
Parque Nacional Brasileiro em 1937 (LEUZINGER, 2002).
O Decreto 84.017/79 que regulamenta os Parques
Nacionais, em seu artigo segundo, enfatiza que essas unidades são
bens da União destinados ao uso comum do povo e destaca no
artigo 34 que: "As atividades desenvolvidas ao ar livre, (....),
devem ser permitidas e incentivadas, desde que se realizem sem perturbar
o ambiente natural e sem desvirtuar as finalidades dos Parques Nacionais."
Apesar do uso público ser um dos objetivos
fundamentais da criação de um Parque Nacional, apenas
35% dessas unidades está oficialmente aberta à visitação
e possui condições mínimas de organização
e infra-estrutura para receber seus visitantes. Isso evidencia que
a implantação e a gestão como um todo da visitação
nos PARNA ainda é incipiente. O gráfico 1 mostra que
em 50% dos parques ocorre visitação não oficial,
ou seja, não há condições de organização,
controle dos impactos e planejamento das oportunidades a serem oferecidas
aos visitantes.
Gráfico 1 - Situação
da visitação nos Parques Nacionais Brasileiros

Fonte: MMA/IBAMA/2005
Aspectos como a carência de recursos humanos
e a pouca infra-estrutura sinalizam alguns motivos que ajudam a
explicar essa situação. Um outro ponto importante
é a dificuldade de planejamento do uso público. Apenas
15% dos PARNA possui Plano de Uso Público para orientar a
gestão das atividades de visitação e educação
ambiental e 55% possui Plano de Manejo.
E por que seria importante considerar os dados acima
para uma discussão sobre inclusão social em áreas
protegidas, especialmente em Parques Nacionais?
Para responder a esta pergunta poder-se-ia lançar
mão de alguns fatores como a geração de renda
para a população do entorno do parque. Entretanto,
destaca-se um outro aspecto relevante que é a influência
das experiências obtidas em PARNA para os visitantes e para
essas unidades.
NOE (1990), afirma que os Parques Nacionais oferecem
uma oportunidade única para avaliação do grau
de percepção da natureza e sua influência na
compreensão dos problemas ambientais. E, conforme ROA (1983),
grupos de indivíduos que valorizam experiências em
Parques Nacionais tendem a ter atitudes de maior responsabilidade
em relação à qualidade do meio ambiente, uma
vez que o lazer não é obrigatoriamente alienante,
mas ao contrário, pode incentivar um engajamento a compromissos
sociais e políticos.
Nesse sentido, as UC revelam-se espaços para
aprendizado e para o exercício da cidadania. A partir da
visitação e pela compreensão da importância
da proteção do meio ambiente, as pessoas podem ser
incentivadas a participarem da gestão e do cuidado com o
local. É o cidadão como ser ativo e co-responsável
pelo bem estar das presentes e das futuras gerações.
Evidências disso são as ações
de voluntariado realizadas em UC no Brasil e em outros países
do mundo. Como exemplo, cita-se a atuação do Corpo
de Socorro em Montanha - COSMO, desde 1996, no Parque Estadual do
Marumbi, localizado na Serra do Mar paranaense. A equipe, formada
por montanhistas voluntários, auxilia os gestores do parque
e o Corpo de Bombeiros com a prestação de serviços
de prevenção de acidentes, resgate de vítimas,
manutenção e conservação de trilhas
e vias de escalada. São os visitantes demonstrando seu comprometimento
com a gestão da UC e a visitação se traduzindo
em benefícios para a conservação do meio ambiente.
Por fim, destaca-se o princípio de que o
cidadão não é um mero consumidor de bens e
serviços públicos definido no documento "Gestão
Pública para um Brasil de Todos" do Ministério
do Planejamento Orçamento e Gestão (2003). Ele deve
ser tratado como beneficiário principal da gestão
pública. É preciso considerá-lo como membro
de uma comunidade cívica, organizada e plena de direitos
e deveres, ampliando-se a consciência cidadã, recriando-se
a solidariedade e definindo-se critérios de justiça
social.
Referências bibliográficas
ZIMMERMAN, A.; RODRIGUES, C. G de Oliveira; GAZONI,
J.; ANDRADE, J. Um olhar sobre os Parques Nacionais Brasileiros.
Centro de Desenvolvimento Sustentável/ Universidade de Brasília.
Brasília, 2005. (no prelo)
LEUZINGER, C. Ecoturismo em Parques Nacionais. 2002.
Ambiental. Distrito Federal.
MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO
E GESTÃO. Secretaria de Gestão. 2003. Gestão
Pública para um Brasil de todos: um plano de gestão
para o Governo Lula/ Secretaria de Gestão. MP, SEGUES. Brasília.
NOE, F.N.; SNOW, R. 1990. The New Enviromental Paradigm
and Further Scale Analysis. Journal of Enviromental Education. v.
21, n. 4, p. 20-26. Summer. EUA.
ROA, J.G.; CASTILHO, R.; CATAÑEDA, J.; SÁNCHES,
J.A. 1983. Recursos Naturales y Turismo. Limusa. México.
--------------------------
Andrea Zimmermann: andreaz@unb.br ou andrea@metodosnet.com.br .
Condomínio Vivendas Colorado 1 modulo H casa 08A Brasília/DF.
|