| |
 |
ANÁLISE
DE DADOS SECUNDÁRIOS COMO SUBSÍDIO PARA O ZONEAMENTO
MARINHO DO SETOR SUL DO LITORAL DO ESTADO DE SÃO PAULO- SÃO
PAULO/SP.
Sandra Eliza Beu
(Programa de Ciência Ambiental- PROCAM,
Universidade de São Paulo, SP)
Sônia M.F. Gianesella
(Instituto Oceanográfico e Programa de Ciência Ambiental-
PROCAM, Universidade de São Paulo, SP)
O Litoral Sul do Estado de São Paulo
compreende uma região de grande importância e riqueza
biológica: o Sistema Estuarino -Lagunar de Cananéia-
Iguape (SELCI). Este sistema Lagunar é formado por um conjunto
de baías, ilhas (Comprida, de Cananéia, do Cardoso,
Superagui e das Peças), planícies, colinas, morros,
serras e desembocaduras de rios, formando junto ao continente um
sistema de lagunas, com mares interiores de águas salobras,
densamente ocupadas por formação de manguezais (SMA,
1989), que atuam como áreas de refúgio, criação,
reprodução ou hábitat de diversas espécies,
entre peixes, crustáceos e moluscos, onde alguns são
utilizados comercialmente pelas populações locais
e servindo como meio de subsistência local. A presença
de uma grande potencialidade de recursos em determinado local e
diversidade de usos, pode levar a conflitos de uso e geração
de impactos (Diegues, 2001). Como forma de controle desses usos
e desenvolvimento sustentável, é necessário
um planejamento ambiental adequado.
A região do SELCI foi delimitada como APA
(Área de Proteção Ambiental), pelo Decreto
Federal No 90347, de 23/10/84, com o objetivo de "permitir
a utilização direta dos recursos naturais, de uma
forma racional, através de um manejo adequado, objetivando
uma produção contínua dos recursos renováveis
(ar, água, solo, flora, fauna)", sendo regulamentada
em 1996 (SMA/ IBAMA). A complexidade de ambientes na região
levou as autoridades estaduais a definir a região do SELCI
, como prioritária para o início do Plano Estadual
de Gerenciamento Costeiro no Estado de São Paulo- PEGC-SP
(SMA, 2000). Dentre os instrumentos de ação do PEGC-SP,
onde esta região é definida como Setor Sul do litoral
do Estado de São Paulo, é prevista a implementação
de um programa de zoneamento da zona costeira, através de
órgãos estaduais de meio ambiente, executado de forma
descentralizada e dessa forma, a caracterização ambiental
da área atua como um instrumento necessário para a
formulação de um Zoneamento Ecológico-Econômico
adequado, sendo necessário um bom diagnóstico da área
de estudo, abrangendo a caracterização fisiográfica,
biológica e humana do local, assim como a compreensão
da dinâmica entre esses fatores. Nesta região já
foram realizadas algumas versões para o macrozoneamento terrestre
(SMA: 1989, 1991), porém nenhuma foi implantada.
As terras emersas do SELCI possuem informações
mais acessíveis sobre geologia, biologia e aspectos sociais
e econômicos, que podem ser obtidos em órgãos
públicos com bancos de dados consolidados, facilitando o
planejamento ambiental para o meio terrestre. A região marinha,
por outro lado, possui algumas informações em banco
de dados da Marinha e as demais encontram-se dispersas em trabalhos
científicos publicados em diversas instituições,
e as bases de dados encontram-se muitas vezes em posse de pesquisadores.
O zoneamento marinho visa ordenar o uso dos espaços e recursos
marinhos, buscando um equilíbrio entre esses usos e a sustentabilidade
do sistema natural, sendo de grande importância para garantir
o uso dos recursos costeiros na região do SELCI, de onde
grande parte da população local obtém seus
meios de subsistência. O histórico de baixo nível
de desenvolvimento na região do SELCI favoreceu o alto grau
de conservação ambiental, onde há presença
de núcleos rurais por toda a região e para estas populações
é de grande importância que ocorra a preservação
dos seus recursos de subsistência.
O objetivo deste trabalho é verificar se os
dados atualmente disponíveis sobre a geologia, hidrografia
e qualidade de água são suficientes para subsidiar
uma proposta para o zoneamento marinho no Setor Sul do litoral do
Estado de São Paulo. O levantamento dos dados disponíveis
permitirá identificar as lacunas de informações
preconizadas pelo PEGC-SP, e o melhor direcionamento de trabalhos
futuros na área com essa finalidade, gerando economia de
recursos a serem aplicados para tal fim, além de contribuir
para discussões e trabalhos que visem o melhor direcionamento
para os usos de recursos naturais pelas comunidades locais dentro
dos padrões estabelecidos legalmente, indicando os usos adequados
que visam garantir a qualidade ambiental na região e manutenção
dos ecossistemas.
Para a realização desta pesquisa será
realizado um levantamento das informações existentes
sobre a região marinha do litoral sul do estado de São
Paulo nas bases de dados disponíveis e colocação
das mesmas num banco de dados em SIG para avaliar disponibilidade
de realização de um zoneamento da região na
escala pretendida. De acordo com o problema levantado e a hipótese
formulada serão realizadas pesquisas de busca de bases de
dados georeferenciados estacionais sobre aspectos geológicos,
hidrodinâmicos e de qualidade de água com vistas à
construção de cartas temáticas em escala adequada.
Referência bibliográfica
Diegues, A.C. Sant`Ana. Ecologia Humana e Planejamento
em Áreas Costeiras. 2aed. São Paulo: Núcleo
de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas
em Áreas Úmidas Brasileiras, USP, 2001.
São Paulo. Secretaria do Meio Ambiente, (SMA).
Proposta de Macrozoneamento da Região Lagunar de Iguape e
Cananéia. Programa Gerenciamento Costeiro, convênio
SMA/CIRM. 1989
______________. Macrozoneamento do Complexo Estuarino-Lagunar
de Iguape e Cananéia. Programa Estadual de Gerenciamento
Costeiro. São Paulo, 1991.
______________, Regulamentação da APA
Cananéia-Iguape-Peruíbe. São Paulo: SMA/IBAMA,
1996.
______________. Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro.
Estabelece os instrumentos, metas e diretrizes para a gestão
da Zona Costeira do Estado de São Paulo.São Paulo:
Série Documentos/ Secretaria do Meio Ambiente (SMA), 2000.
---------------------
Sandra Eliza Beu: sandraebeu@yahoo.com.br; Sônia
M.F. Gianesella: soniag@io.usp.br
|