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AGENDA
21: INSTRUMENTO PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
E INCLUSÃO SOCIAL?
Karla Monteiro Matos (UFRJ/IP/EICOS)
Marta de Azevedo Irving (UFRJ/ IP/EICOS).
Resumo:
As áreas protegidas, em particular, as unidades
de conservação, têm sido consideradas como instrumentos
dos mais importantes para garantir a conservação da
biodiversidade e propiciar sua contribuição ao desenvolvimento
sustentável. Entretanto, segundo Diegues (2002), a gestão
das áreas protegidas levanta inúmeros problemas de
ordem política, social e econômica que demonstram a
dificuldade de mantê-los integralmente protegidos. Além
disso, um conjunto de problemas citados por este autor diz respeito
a questões sociais e étnicas relativas à expulsão
das populações tradicionais de seus territórios
de origem, onde foram criados parques nacionais, já que "quase
nunca os governos avaliam os impactos da criação de
parques sobre o modo de vida dos moradores locais que, muitas vezes,
tinham sido responsáveis pela preservação das
áreas naturais" (Diegues, 2002: 59). Outros problemas
derivam do impacto político-territorial e fundiário
gerado pela delimitação de áreas protegidas.
No contexto internacional, a estratégia de
planejamento em parques nacionais e áreas protegidas entrou
em uma nova fase ou paradigma, não mais se limitando aos
esforços das ciências biológicas. Essa mudança
de abordagem pode ser descrita através de elementos-chave
relativos a parques e áreas Protegidas, que incluem: desenvolvimento
sustentável; novas formas de planejamento e gestão;
culturas e valores; populações tradicionais. De acordo
com a IUCN (1991), esses elementos interagem entre si e são
de difícil separação.
A Agenda 21, por sua vez, é elemento integrador
destes elementos. Compromisso concebido e assumido durante a Conferência
das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CNUMAD), apresenta-se tanto para o poder público como para
a sociedade civil, como um instrumento, um guia para a promoção
de ações que estimulem a integração
entre o crescimento econômico, a justiça social e a
proteção ao meio ambiente (IBGE, 2005). No Brasil,
conforme o Ministério do Meio Ambiente (2005), um dos desafios
da Agenda 21 é atingir um novo modelo de desenvolvimento
tendo como eixos, dentre outros, a participação e
a inclusão social.
Nesse sentido, objetivo deste trabalho é
analisar qual o real potencial de contribuição da
Agenda 21 como instrumento de conservação da biodiversidade
de parques nacionais brasileiros, sob a égide da sustentabilidade,
e quais as tendências dessa contribuição para
a inclusão social das populações de municípios
limítrofes a parques.
Referências Bibliográficas
DIEGUES, Antonio Carlos. O mito moderno da natureza
intocada. (4.º edição). São Paulo: Annablume
/ Hucitec / Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações
Humanas e Áreas Unidas Brasileiras, 2002.
IBGE. Perfil dos Municípios Brasileiros:
Meio Ambiente 2002. Rio de Janeiro: IBGE, 2005.
IUCN/UNEP/WWF [International Union for the Conservation
of Nature and Natural Resources,United Nations Environment Programme
e World Wide Fund for Nature]. Caring for the Earth: A Strategy
for Sustainable Living. Suíça: IUCN, 1991.
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