| A GOVERNANÇA:
UMA META NO TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM COMUNIDADES DO
ENTORNO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO.
Alessandra S. Rosa
Elismara T. Moreira
Leila C. M. Cândido
Samira L. Costa
(Faculdade Novo Milênio de Vila Velha/ES)
A presente pesquisa teve como objetivo discutir o
exercício da Governança nos Parques Estaduais do ES,
`a luz da proposta teórico-prática do serviço
social ambiental.
As informações e análises aqui
apresentadas são pautadas principalmente em entrevista realizada
com o ex-gerente do setor de Unidades de Conservação
do IDAF do ES a cerca de mecanismos de gestão dos Parques
Estaduais do Estado.
Parque Estadual é uma unidade de proteção
integral que tem como mecanismos de gestão previstos na Lei
do SNUC o plano de manejo e o conselho consultivo, formado a partir
de representações que garantam a participação
comunitária. No ES, As unidades de conservação
estaduais compreendem 17 unidades, 0,98% da área total do
Estado, das quais 7 são Parques Estaduais. Dos sete Parques
Estaduais do Espírito Santo, cinco estão sob a administração
do IDAF (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal).
Apesar de apenas um destes parques não possuir
ainda um plano de manejo, na maioria delas o plano de manejo apresenta
problemas em sua implantação, principalmente devido
aos conflitos existentes com a comunidade do entorno e, em alguns
casos, também com os moradores de áreas no interior
dos parques. Por outro lado, nenhum dos Parques Estaduais do ES
possui um conselho. A ausência de conselhos se deve principalmente
à política interna do próprio órgão,
pois considera que a gestão participativa pode criar muitos
impasses e se tornar um obstáculo para as decisões
da administração. Porém, como está disposto
no SNUC, a maioria dos parques tem previsão de criação
de conselho, embora na prática este seja ainda um movimento
frágil.
Os principais conflitos existentes nas Unidades de
Conservação do ES dizem respeito a comunidades de
entorno e a sobreposição de áreas protegidas.
O Parque Estadual Paulo César Vinha exemplifica todos esses
conflitos. A respeito das comunidades do entorno, com freqüência,
a população interessada em explorar o potencial turístico
da região acaba por extrapolar os limites da administração
do parque, gerando conflitos.Existem também áreas
do Parque que se sobrepõem à de uma Área de
Proteção Ambiental. Como o parque não tem conselho,
a APA acaba agindo como um conselho do parque, mas com interesses
de Unidade de Uso Sustentável. Isso leva a um conflito permanente
entre estas duas áreas de proteção. Ocorrem
também invasões de áreas de parque por acampamentos
do MST, gerando conflitos tensos cuja negociação não
se dá com a administração do parque, mas com
o Governo Federal. A Governança, desta forma, parece não
estar presente na gestão deste Parque.
A Governança é a capacidade social
de orientar condutas dos estados, das empresas, das pessoas em torno
de certos valores e objetivos de longo prazo para a sociedade. uma
rede organizada para promover a cultura da cooperação
e da solidariedade entre governo, comunidade e setor privado, em
benefício da inclusão social. Neste sentido, a Governança
caracteriza-se pelo conjunto de iniciativas que permite às
pessoas o exercício de controle social público e transparente,
das estruturas estatais e das políticas públicas,
por um lado, e da dinâmica e das instituições
do mercado, por outro, visando atingir objetivos comuns.
Compreendendo que a participação social
através do exercício de Governança deve ser
a chave para a boa gestão de uma Unidade de Conservação,
entendemos que seja necessária e urgente a formação
de profissionais voltados para esta demanda, preparados para a gestão
de conflitos e familiarizados com o discurso e a prática
socioambiental.
É neste contexto que se constitui a formação
do assistente social com ênfase em Meio Ambiente. O Serviço
Social Ambiental tem como enfoque principal a Ecologia Social, cujo
objetivo é compreender a interação dos grupos
humanos com o meio em que vivem. Para tanto, baseia-se em estudos
de comunidades, populações e grupamentos humanos levando
em consideração principalmente a dimensão cultural
organizadora da dinâmica desses grupos (organização
social, mobilidade, manifestações culturais, uso e
manejo de recursos naturais na ótica do desenvolvimento local
e sua relação com características específicas
do ambiente físico) visando o Desenvolvimento Sustentável.
Este profissional se propõe a ser um agente facilitador de
processos de Desenvolvimento Local que sejam socialmente justos
e ambientalmente sustentáveis. Para tanto, as práticas
junto à comunidade devem ter como meta construir suporte
teórico e metodológico voltados para ações
relacionadas à sustentabilidade socioambiental, apontando
tendências e conhecimentos capazes de apoiar iniciativas locais.
Como recurso para alcançar este objetivo, um dos principais
mecanismos utilizados é o favorecimento da participação
social, que é a oficialização do engajamento
da população não só nas ações
de proteção ambiental, mas também - e principalmente
- no planejamento e na administração da própria
comunidade, transformando-se, desta forma, em um mecanismo de controle
social. Entretanto, para que esta participação seja
exercida com plenitude é preciso haver Governança.
Desta forma, o conceito de Governança proposto pelos organismos
internacionais para se pensar em mecanismos efetivamente participativos
e auto-gestores, pode ser compreendido como meta de intervenção
do Serviço Social Ambiental.
Referências Bibliográficas
INSTITUTO FLORESTAL DE SÃO PAULO. Disponível
em http://www.iflorestsp.br. Consultado em julho de 2005.
OECD. Governança. Disponível em www.oecd.org.
Consultado em julho de 2005.
SEMA. Disponível em http://www.ambiente.sp.gov.br.
Consultado em julho de 2005.
VITAE CIVILIS. Disponível em http://www.vitaecivilis.org.br/default.asp?site_
Acao=mostraPagina&paginaId=1479. Acesso em julho de 2005.
EICOS. Disponível em www.eicos.psycho.ufrj.br
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Alessandra Santa Rosa: lesantarosa@yahoo.com.br. Rua santa Apolônia,211.Ibes.
Vila Velha/ES
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