Publicado em dezembro de 2005



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A GOVERNANÇA: UMA META NO TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM COMUNIDADES DO ENTORNO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO.

Alessandra S. Rosa
Elismara T. Moreira
Leila C. M. Cândido
Samira L. Costa
(Faculdade Novo Milênio de Vila Velha/ES)

A presente pesquisa teve como objetivo discutir o exercício da Governança nos Parques Estaduais do ES, `a luz da proposta teórico-prática do serviço social ambiental.

As informações e análises aqui apresentadas são pautadas principalmente em entrevista realizada com o ex-gerente do setor de Unidades de Conservação do IDAF do ES a cerca de mecanismos de gestão dos Parques Estaduais do Estado.

Parque Estadual é uma unidade de proteção integral que tem como mecanismos de gestão previstos na Lei do SNUC o plano de manejo e o conselho consultivo, formado a partir de representações que garantam a participação comunitária. No ES, As unidades de conservação estaduais compreendem 17 unidades, 0,98% da área total do Estado, das quais 7 são Parques Estaduais. Dos sete Parques Estaduais do Espírito Santo, cinco estão sob a administração do IDAF (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal).

Apesar de apenas um destes parques não possuir ainda um plano de manejo, na maioria delas o plano de manejo apresenta problemas em sua implantação, principalmente devido aos conflitos existentes com a comunidade do entorno e, em alguns casos, também com os moradores de áreas no interior dos parques. Por outro lado, nenhum dos Parques Estaduais do ES possui um conselho. A ausência de conselhos se deve principalmente à política interna do próprio órgão, pois considera que a gestão participativa pode criar muitos impasses e se tornar um obstáculo para as decisões da administração. Porém, como está disposto no SNUC, a maioria dos parques tem previsão de criação de conselho, embora na prática este seja ainda um movimento frágil.

Os principais conflitos existentes nas Unidades de Conservação do ES dizem respeito a comunidades de entorno e a sobreposição de áreas protegidas. O Parque Estadual Paulo César Vinha exemplifica todos esses conflitos. A respeito das comunidades do entorno, com freqüência, a população interessada em explorar o potencial turístico da região acaba por extrapolar os limites da administração do parque, gerando conflitos.Existem também áreas do Parque que se sobrepõem à de uma Área de Proteção Ambiental. Como o parque não tem conselho, a APA acaba agindo como um conselho do parque, mas com interesses de Unidade de Uso Sustentável. Isso leva a um conflito permanente entre estas duas áreas de proteção. Ocorrem também invasões de áreas de parque por acampamentos do MST, gerando conflitos tensos cuja negociação não se dá com a administração do parque, mas com o Governo Federal. A Governança, desta forma, parece não estar presente na gestão deste Parque.

A Governança é a capacidade social de orientar condutas dos estados, das empresas, das pessoas em torno de certos valores e objetivos de longo prazo para a sociedade. uma rede organizada para promover a cultura da cooperação e da solidariedade entre governo, comunidade e setor privado, em benefício da inclusão social. Neste sentido, a Governança caracteriza-se pelo conjunto de iniciativas que permite às pessoas o exercício de controle social público e transparente, das estruturas estatais e das políticas públicas, por um lado, e da dinâmica e das instituições do mercado, por outro, visando atingir objetivos comuns.

Compreendendo que a participação social através do exercício de Governança deve ser a chave para a boa gestão de uma Unidade de Conservação, entendemos que seja necessária e urgente a formação de profissionais voltados para esta demanda, preparados para a gestão de conflitos e familiarizados com o discurso e a prática socioambiental.

É neste contexto que se constitui a formação do assistente social com ênfase em Meio Ambiente. O Serviço Social Ambiental tem como enfoque principal a Ecologia Social, cujo objetivo é compreender a interação dos grupos humanos com o meio em que vivem. Para tanto, baseia-se em estudos de comunidades, populações e grupamentos humanos levando em consideração principalmente a dimensão cultural organizadora da dinâmica desses grupos (organização social, mobilidade, manifestações culturais, uso e manejo de recursos naturais na ótica do desenvolvimento local e sua relação com características específicas do ambiente físico) visando o Desenvolvimento Sustentável. Este profissional se propõe a ser um agente facilitador de processos de Desenvolvimento Local que sejam socialmente justos e ambientalmente sustentáveis. Para tanto, as práticas junto à comunidade devem ter como meta construir suporte teórico e metodológico voltados para ações relacionadas à sustentabilidade socioambiental, apontando tendências e conhecimentos capazes de apoiar iniciativas locais. Como recurso para alcançar este objetivo, um dos principais mecanismos utilizados é o favorecimento da participação social, que é a oficialização do engajamento da população não só nas ações de proteção ambiental, mas também - e principalmente - no planejamento e na administração da própria comunidade, transformando-se, desta forma, em um mecanismo de controle social. Entretanto, para que esta participação seja exercida com plenitude é preciso haver Governança. Desta forma, o conceito de Governança proposto pelos organismos internacionais para se pensar em mecanismos efetivamente participativos e auto-gestores, pode ser compreendido como meta de intervenção do Serviço Social Ambiental.

Referências Bibliográficas

INSTITUTO FLORESTAL DE SÃO PAULO. Disponível em http://www.iflorestsp.br. Consultado em julho de 2005.

OECD. Governança. Disponível em www.oecd.org. Consultado em julho de 2005.

SEMA. Disponível em http://www.ambiente.sp.gov.br. Consultado em julho de 2005.

VITAE CIVILIS. Disponível em http://www.vitaecivilis.org.br/default.asp?site_ Acao=mostraPagina&paginaId=1479. Acesso em julho de 2005.

EICOS. Disponível em www.eicos.psycho.ufrj.br

 

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Alessandra Santa Rosa: lesantarosa@yahoo.com.br. Rua santa Apolônia,211.Ibes. Vila Velha/ES

 

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