Publicado em dezembro de 2005



Realização

Apoio

CRIAÇÃO DE RPPNS COMO UMA ESTRATÉGIA DE ADESÃO DO PEQUENO PRODUTOR NA PROPOSTA DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL.

Joelma Cavalcante de Souza
(Núcleo de Ação em Ambiente, Saúde, Cultura e Educação)
Tereza Cristina Ribeiro
(Núcleo de Ação em Ambiente, Saúde, Cultura e Educação)

Contexto do trabalho e justificativa

Bom Jardim localiza-se na região serrana do Rio de Janeiro, estendendo-se pelas vertentes da Serra do Mar. Este município e seus arredores abrigam alguns importantes remanescentes de Floresta Atlântica fazendo com que os mesmos sejam considerados estratégicos na manutenção e preservação deste bioma no Estado do Rio de Janeiro.

O município possui uma população de 22 mil habitantes, apresentando uma atividade econômica essencialmente agrícola, com produção diversificada, sendo o primeiro município da Região Serrana na produção de café e o segundo do estado na produção de flores. A exuberância florestal, em bom estado de conservação, vem estimulando nessa região um circuito de turismo rural, que aliado a agroindústrias de embutidos, defumados e de doces, vem promovendo novas alternativas de desenvolvimento local. Esta configuração florestal regional também vem incentivando a criação de unidades de conservação da natureza nas instancias estaduais, municipais e particulares.

Com base neste cenário, comum a outros municípios do Estado, ou seja, áreas florestadas de significativa relevância ambiental, com potencial para implementação de Unidades de Conservação e com o perfil eminentemente agrícola é que se insere a nossa discussão.

Este ensaio tem como objetivo refletir sobre o incentivo à criação de unidades de conservação de uso sustentável, em especial as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, em pequenas propriedades agrícolas que utilizam o modelo convencional de agricultura. Nesse sentido, nossa reflexão deve se pautar em uma reflexão contínua que responda questionamentos como:

1. Como tornar compatível uma relação que em princípio parece insustentável?
2. Como diminuir/cessar a pressão agrícola junto aos fragmentos florestais ainda presentes em pequenas propriedades rurais?
3. Como lidar com a falta de incentivos fiscais que poderiam auxiliar na manutenção desses remanescentes?
4. Como o pequeno agricultor, enquanto pessoa física, poderia ter maior acesso a incentivos e mecanismos que incentivem a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural?

Esse questionamento não se esgota aqui e muito menos nas quatro questões apresentadas. Na verdade, quando respondemos a estas questões não só pretendemos mapear as dificuldades encontradas pelo pequeno produtor em seu dia a dia como também estimular no incentivo a criação de pequenas unidades de conservação, em áreas particulares mas que ainda asseguram inclusive a manutenção dos sistemas agrícolas.

Na verdade, reconhecemos que existem canais públicos e privados que incentivam tanto a criação como a gestão de RPPNs. No entanto, o acesso a estes mecanismos por pequenos produtores, com áreas reduzidas mas não menos importantes do ponto de vista ambiental, não se dá de forma fácil. Ou melhor, a criação legal destes espaços demanda tempo, informação e dinheiro. Assim, é interessante que um maior número de agentes, seja do Poder Público seja de ONGs, atuem como mediadores neste processo buscando alternativas para esses produtores e consolidando o processo de incentivo a conservação natural.

Objetivos

1. Contribuir na discussão sobre inclusão de pequenos agricultores no processo de criação de RPPNs.

2. Estimular o debate sobre o processo de facilitação de implementação de RPPNs.

Metodologia

A construção metodológica do presente trabalho foi realizada em 03 (três) momentos distintos:

1. A elaboração pelo NASCE - Núcleo de Ação em Ambiente, Saúde, Cultura e Educação - de um Diagnóstico Rural Participativo na região de Bom Jardim. Este documento visou reunir informações primárias à luz dos agricultores familiares da região sobre a forma de manejo agrícola utilizado, as principais dificuldades encontradas por estes atores neste setor e suas demandas para o futuro.
2. Consulta e levantamento de bibliografia especializada.
3. Visitas periódicas as propriedades do referido município.

Reflexões Centrais para Políticas Públicas

No município de Bom Jardim ainda encontramos uma tradição muito forte na utilização da agricultura convencional. Entendemos como modelo agrícola convencional é aquele pautado no cultivo intensivo do solo; no estabelecimento da monocultura; na aplicação de fertilizantes sintéticos; na adoção do controle químico de pragas e de ervas adventícias; na manipulação genética, na degradação total ou parcial do ambiente e, especialmente, no fomento/manutenção de desigualdade social. A alteração deste modelo, potencialmente consumidor dos sistemas ecológicos, apresenta-se como um desafio a ser enfrentado pois o mesmo além de produzir uma degradação ambiental acaba por estimular/manter um sistema de exclusão social. No entanto, quebrar esse elo requer uma série de variáveis como: promoção de assistência técnica; melhoria de serviços essenciais como saúde e educação, incentivo a comercialização e preços mais justos etc. É necessário se criar alternativas que estimulem o pequeno produtor a efetuar a transição para um modelo de produção mais harmônico e menos agressivo. Nesse sentido, o estímulo à criação de RPPNs pode ser uma das saídas em municípios que ainda possuem significativos remanescentes florestais. Ressalta-se que o estimulo inicial pode vir pela inserção do turismo rural e dos subprodutos oriundos da conservação. No entanto, a partir do momento que o proprietário entende o papel desta categoria de unidade de conservação para os assegurar serviços ecossistêmicos fundamentais sua adesão torna-se um compromisso. No entanto, ressalva-se que é extremamente necessário o repasse de técnicas e informações visando tornar este proprietário minimamente apto para o manejo de suas propriedades.

Referências bibliográficas

NEVES, Delma Pessanha. Importância dos mediadores culturais para a promoção do desenvolvimento social.

GLIESSMAN, Sthephen R. Agroecologia. Processos ecológicos em agricultura sustentável. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000. 637p.

III Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. Anais. Fortaleza: Rede Nacional Pró-Unidade de Conservação: Fundação O Boticário de Proteção a Natureza: Associação Caatinga, 2002 Iv.

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Joelma Cavalcante de Souza - joelma_souza2001@yahoo.com.br Rua Euclides da Cunha 176/B/ 205 - São Cristóvão - Rio de Janeiro - CEP 20940-060

 

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