| CRIAÇÃO
DE RPPNS COMO UMA ESTRATÉGIA DE ADESÃO DO PEQUENO
PRODUTOR NA PROPOSTA DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL.
Joelma Cavalcante de Souza
(Núcleo de Ação em Ambiente, Saúde,
Cultura e Educação)
Tereza Cristina Ribeiro
(Núcleo de Ação em Ambiente, Saúde,
Cultura e Educação)
Contexto do trabalho e justificativa
Bom Jardim localiza-se na região serrana do
Rio de Janeiro, estendendo-se pelas vertentes da Serra do Mar. Este
município e seus arredores abrigam alguns importantes remanescentes
de Floresta Atlântica fazendo com que os mesmos sejam considerados
estratégicos na manutenção e preservação
deste bioma no Estado do Rio de Janeiro.
O município possui uma população
de 22 mil habitantes, apresentando uma atividade econômica
essencialmente agrícola, com produção diversificada,
sendo o primeiro município da Região Serrana na produção
de café e o segundo do estado na produção de
flores. A exuberância florestal, em bom estado de conservação,
vem estimulando nessa região um circuito de turismo rural,
que aliado a agroindústrias de embutidos, defumados e de
doces, vem promovendo novas alternativas de desenvolvimento local.
Esta configuração florestal regional também
vem incentivando a criação de unidades de conservação
da natureza nas instancias estaduais, municipais e particulares.
Com base neste cenário, comum a outros municípios
do Estado, ou seja, áreas florestadas de significativa relevância
ambiental, com potencial para implementação de Unidades
de Conservação e com o perfil eminentemente agrícola
é que se insere a nossa discussão.
Este ensaio tem como objetivo refletir sobre o incentivo
à criação de unidades de conservação
de uso sustentável, em especial as Reservas Particulares
do Patrimônio Natural, em pequenas propriedades agrícolas
que utilizam o modelo convencional de agricultura. Nesse sentido,
nossa reflexão deve se pautar em uma reflexão contínua
que responda questionamentos como:
1. Como tornar compatível uma relação
que em princípio parece insustentável?
2. Como diminuir/cessar a pressão agrícola junto aos
fragmentos florestais ainda presentes em pequenas propriedades rurais?
3. Como lidar com a falta de incentivos fiscais que poderiam auxiliar
na manutenção desses remanescentes?
4. Como o pequeno agricultor, enquanto pessoa física, poderia
ter maior acesso a incentivos e mecanismos que incentivem a criação
de Reservas Particulares do Patrimônio Natural?
Esse questionamento não se esgota aqui e muito
menos nas quatro questões apresentadas. Na verdade, quando
respondemos a estas questões não só pretendemos
mapear as dificuldades encontradas pelo pequeno produtor em seu
dia a dia como também estimular no incentivo a criação
de pequenas unidades de conservação, em áreas
particulares mas que ainda asseguram inclusive a manutenção
dos sistemas agrícolas.
Na verdade, reconhecemos que existem canais públicos
e privados que incentivam tanto a criação como a gestão
de RPPNs. No entanto, o acesso a estes mecanismos por pequenos produtores,
com áreas reduzidas mas não menos importantes do ponto
de vista ambiental, não se dá de forma fácil.
Ou melhor, a criação legal destes espaços demanda
tempo, informação e dinheiro. Assim, é interessante
que um maior número de agentes, seja do Poder Público
seja de ONGs, atuem como mediadores neste processo buscando alternativas
para esses produtores e consolidando o processo de incentivo a conservação
natural.
Objetivos
1. Contribuir na discussão sobre inclusão
de pequenos agricultores no processo de criação de
RPPNs.
2. Estimular o debate sobre o processo de facilitação
de implementação de RPPNs.
Metodologia
A construção metodológica do
presente trabalho foi realizada em 03 (três) momentos distintos:
1. A elaboração pelo NASCE - Núcleo
de Ação em Ambiente, Saúde, Cultura e Educação
- de um Diagnóstico Rural Participativo na região
de Bom Jardim. Este documento visou reunir informações
primárias à luz dos agricultores familiares da região
sobre a forma de manejo agrícola utilizado, as principais
dificuldades encontradas por estes atores neste setor e suas demandas
para o futuro.
2. Consulta e levantamento de bibliografia especializada.
3. Visitas periódicas as propriedades do referido município.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
No município de Bom Jardim ainda encontramos
uma tradição muito forte na utilização
da agricultura convencional. Entendemos como modelo agrícola
convencional é aquele pautado no cultivo intensivo do solo;
no estabelecimento da monocultura; na aplicação de
fertilizantes sintéticos; na adoção do controle
químico de pragas e de ervas adventícias; na manipulação
genética, na degradação total ou parcial do
ambiente e, especialmente, no fomento/manutenção de
desigualdade social. A alteração deste modelo, potencialmente
consumidor dos sistemas ecológicos, apresenta-se como um
desafio a ser enfrentado pois o mesmo além de produzir uma
degradação ambiental acaba por estimular/manter um
sistema de exclusão social. No entanto, quebrar esse elo
requer uma série de variáveis como: promoção
de assistência técnica; melhoria de serviços
essenciais como saúde e educação, incentivo
a comercialização e preços mais justos etc.
É necessário se criar alternativas que estimulem o
pequeno produtor a efetuar a transição para um modelo
de produção mais harmônico e menos agressivo.
Nesse sentido, o estímulo à criação
de RPPNs pode ser uma das saídas em municípios que
ainda possuem significativos remanescentes florestais. Ressalta-se
que o estimulo inicial pode vir pela inserção do turismo
rural e dos subprodutos oriundos da conservação. No
entanto, a partir do momento que o proprietário entende o
papel desta categoria de unidade de conservação para
os assegurar serviços ecossistêmicos fundamentais sua
adesão torna-se um compromisso. No entanto, ressalva-se que
é extremamente necessário o repasse de técnicas
e informações visando tornar este proprietário
minimamente apto para o manejo de suas propriedades.
Referências bibliográficas
NEVES, Delma Pessanha. Importância dos mediadores
culturais para a promoção do desenvolvimento social.
GLIESSMAN, Sthephen R. Agroecologia. Processos ecológicos
em agricultura sustentável. Porto Alegre: Editora da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, 2000. 637p.
III Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação.
Anais. Fortaleza: Rede Nacional Pró-Unidade de Conservação:
Fundação O Boticário de Proteção
a Natureza: Associação Caatinga, 2002 Iv.
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Joelma Cavalcante de Souza - joelma_souza2001@yahoo.com.br
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