| PROJETO
DE REFLORESTAMENTO PRODUTIVO EM VILA CANAÃ
Marcos Villela (Instituto Terra Nova)
Marcelo Motta de Freitas (Instituto Terra Nova)
Bruno Henriques Coutinho (Instituto Terra Nova)
Leonardo Esteves de Freitas (Instituto Terra Nova)
Lucas Freire de Moraes (Instituto Terra Nova)
Contexto do trabalho e justificativa
A vila Canaã está situada na
APA Petrópolis, localizada na antiga estrada para Petrópolis
(conhecida como Serra Velha), entre os bairros Meio da Serra e Alto
da Serra, no município de Petrópolis, estado do Rio
de Janeiro.
A área foi drasticamente alterada, ao longo
de sua história por sucessivos depósitos de entulho
e recentemente foi destinada à expansão urbana, sendo
desmatada e sofrendo cortes do solo para nivelamento e construção
de moradias.
O processo de formação e manejo do
solo e da cobertura vegetal associada às características
climáticas, topográficas e de drenagem da área,
desenvolveu um ambiente sujeito a acomodações e fortemente
susceptível a processos erosivos inclusive suas formas mais
intensas como os deslizamentos, que vieram a ocorrer em 2002.
Levando em consideração a legislação
para áreas de preservação permanente (APA),
onde determinadas áreas são submetidas ao planejamento
e à gestão ambiental e destina-se a compatibilização
de atividades humanas com a preservação da vida silvestre,
a proteção dos recursos naturais e a melhoria da qualidade
de vida da população local. Permitindo a experimentação
de novas técnicas e atitudes que possibilitem conciliar o
uso da terra e o desenvolvimento regional com a manutenção
dos processos ecológicos essenciais.
A forma de manejo proposta é fortemente balizada
por aspectos ecológicos buscando a estabilização
do sistema com a recomposição do ambiente clímax
nativo. Considera-se também a necessidade de interação
das atividades de recuperação com o ambiente social,
no qual as mesmas estão inseridas, para que a população
envolvida desenvolva a consciência conservacionista ao mesmo
tempo em que recebe capacitação para o manejo adequado
da área para posterior geração de renda e alternativas
de trabalho para a população envolvida. O ambiente
social local é bastante complexo, composto por comunidades
periféricas pobres.
O projeto é financiado pela CEG Rio através
de medidas compensatórias, aplicadas quando da construção
do gasoduto para a cidade de Petrópolis, pela empresa citada
anteriormente, prevista para um período de três anos.
De acordo com o resultado da licitação,
foi contratado o Instituto Terra Nova que iniciou suas atividades
na área em junho de 2005. A gerência da APA Petrópolis
participou da seleção da área, do planejamento
e vem acompanhando o projeto como colaboradora.
Objetivos
O projeto visa o reflorestamento de uma área
com aproximadamente 1,5 ha na localidade de Vila Canaã. O
trabalho foi orientado para que se atingisse a comunidade circunvizinha
num processo de sinergismo sócio-ambiental, onde o ambiente
é recuperado através de espécies nativas e
de interesse ecológico, associado às espécies
hortícolas de interesse econômico, com conseqüente
potencial gerador de renda e segurança alimentar para a comunidade.
Dessa forma pretende-se que a comunidade seja inserida tanto no
momento de construção do sistema, como também
nas fases de controle e manutenção das áreas.
Metodologia
Na etapa inicial do projeto o trabalho foi feito
por quatro moradores selecionados por critérios de qualificação
anteriores, interesses e proximidades das residências, que
serão, durante o desenvolvimento do projeto, capacitados
e se transformarão em multiplicadores das idéias e
conceitos propostos. Destes quatro trabalhadores dois serão
mantidos até o final da execução do projeto
e nos outros dois postos será feito um rodízio entre
os moradores da comunidade a fim de se atingir a maior gama de indivíduos
da região com os conceitos e práticas desenvolvidas.
A abordagem metodológica para alcance das
metas e objetivos propostos pelo projeto terá como orientação
conceitos e práticas agroflorestais, fundamentados em processos
participativos e de formação de capital social como
forma de equacionar a necessidade de estabilização
ambiental e também a inserção social dentro
do processo de gestão desse espaço, formando sistemas
de cultivo compostos por práticas e culturas que compatibilizem
sustentabilidade ambiental e econômica.
Fazendo uso de espécies nativas da Mata Atlântica,
associadas a espécies hortícolas (frutíferas,
olerícolas, aromáticas, medicinais e ornamentais)
selecionadas pela sua funcionalidade dentro do sistema e integradas
em função de suas características ecológicas.
Reflexões Centrais para Políticas
Públicas
Desenvolver o conceito de territorialização
de áreas públicas de preservação permanente
por comunidades peri-urbanas, residentes em suas margens ou proximidades.
Para que dessa forma possa se desenvolver a harmonização
dos interesses do poder público e das comunidades circunvizinhas
em gerar renda, uma cultura produtiva e a preservação
ambiental capaz de ser reproduzida pelas gerações
futuras. Além de criar subsídios para a gestão
participativa em áreas protegidas.
Pretende-se também, desenvolver um modelo
de recuperação ambiental para as encostas da Serra
Velha, que integrem conservação dos recursos naturais
e melhoria da qualidade de vida da população.
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de Mestrado)
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Marcos Villela: marcosvillela@terranova.org.br. Av. Marechal Floriano,
38/ 902. 20080-007. Centro. Rio de Janeiro.
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