Publicado em dezembro de 2005



Realização

Apoio

PROJETO DE REFLORESTAMENTO PRODUTIVO EM VILA CANAÃ

Marcos Villela (Instituto Terra Nova)
Marcelo Motta de Freitas (Instituto Terra Nova)
Bruno Henriques Coutinho (Instituto Terra Nova)
Leonardo Esteves de Freitas (Instituto Terra Nova)
Lucas Freire de Moraes (Instituto Terra Nova)

Contexto do trabalho e justificativa

A vila Canaã está situada na APA Petrópolis, localizada na antiga estrada para Petrópolis (conhecida como Serra Velha), entre os bairros Meio da Serra e Alto da Serra, no município de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro.

A área foi drasticamente alterada, ao longo de sua história por sucessivos depósitos de entulho e recentemente foi destinada à expansão urbana, sendo desmatada e sofrendo cortes do solo para nivelamento e construção de moradias.

O processo de formação e manejo do solo e da cobertura vegetal associada às características climáticas, topográficas e de drenagem da área, desenvolveu um ambiente sujeito a acomodações e fortemente susceptível a processos erosivos inclusive suas formas mais intensas como os deslizamentos, que vieram a ocorrer em 2002.

Levando em consideração a legislação para áreas de preservação permanente (APA), onde determinadas áreas são submetidas ao planejamento e à gestão ambiental e destina-se a compatibilização de atividades humanas com a preservação da vida silvestre, a proteção dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população local. Permitindo a experimentação de novas técnicas e atitudes que possibilitem conciliar o uso da terra e o desenvolvimento regional com a manutenção dos processos ecológicos essenciais.

A forma de manejo proposta é fortemente balizada por aspectos ecológicos buscando a estabilização do sistema com a recomposição do ambiente clímax nativo. Considera-se também a necessidade de interação das atividades de recuperação com o ambiente social, no qual as mesmas estão inseridas, para que a população envolvida desenvolva a consciência conservacionista ao mesmo tempo em que recebe capacitação para o manejo adequado da área para posterior geração de renda e alternativas de trabalho para a população envolvida. O ambiente social local é bastante complexo, composto por comunidades periféricas pobres.

O projeto é financiado pela CEG Rio através de medidas compensatórias, aplicadas quando da construção do gasoduto para a cidade de Petrópolis, pela empresa citada anteriormente, prevista para um período de três anos.

De acordo com o resultado da licitação, foi contratado o Instituto Terra Nova que iniciou suas atividades na área em junho de 2005. A gerência da APA Petrópolis participou da seleção da área, do planejamento e vem acompanhando o projeto como colaboradora.

Objetivos

O projeto visa o reflorestamento de uma área com aproximadamente 1,5 ha na localidade de Vila Canaã. O trabalho foi orientado para que se atingisse a comunidade circunvizinha num processo de sinergismo sócio-ambiental, onde o ambiente é recuperado através de espécies nativas e de interesse ecológico, associado às espécies hortícolas de interesse econômico, com conseqüente potencial gerador de renda e segurança alimentar para a comunidade. Dessa forma pretende-se que a comunidade seja inserida tanto no momento de construção do sistema, como também nas fases de controle e manutenção das áreas.

Metodologia

Na etapa inicial do projeto o trabalho foi feito por quatro moradores selecionados por critérios de qualificação anteriores, interesses e proximidades das residências, que serão, durante o desenvolvimento do projeto, capacitados e se transformarão em multiplicadores das idéias e conceitos propostos. Destes quatro trabalhadores dois serão mantidos até o final da execução do projeto e nos outros dois postos será feito um rodízio entre os moradores da comunidade a fim de se atingir a maior gama de indivíduos da região com os conceitos e práticas desenvolvidas.

A abordagem metodológica para alcance das metas e objetivos propostos pelo projeto terá como orientação conceitos e práticas agroflorestais, fundamentados em processos participativos e de formação de capital social como forma de equacionar a necessidade de estabilização ambiental e também a inserção social dentro do processo de gestão desse espaço, formando sistemas de cultivo compostos por práticas e culturas que compatibilizem sustentabilidade ambiental e econômica.

Fazendo uso de espécies nativas da Mata Atlântica, associadas a espécies hortícolas (frutíferas, olerícolas, aromáticas, medicinais e ornamentais) selecionadas pela sua funcionalidade dentro do sistema e integradas em função de suas características ecológicas.

Reflexões Centrais para Políticas Públicas

Desenvolver o conceito de territorialização de áreas públicas de preservação permanente por comunidades peri-urbanas, residentes em suas margens ou proximidades. Para que dessa forma possa se desenvolver a harmonização dos interesses do poder público e das comunidades circunvizinhas em gerar renda, uma cultura produtiva e a preservação ambiental capaz de ser reproduzida pelas gerações futuras. Além de criar subsídios para a gestão participativa em áreas protegidas.

Pretende-se também, desenvolver um modelo de recuperação ambiental para as encostas da Serra Velha, que integrem conservação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida da população.

Referências bibliográficas

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Marcos Villela: marcosvillela@terranova.org.br. Av. Marechal Floriano, 38/ 902. 20080-007. Centro. Rio de Janeiro.

 

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