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PROTEGIDAS E "INCLUSÃO SOCIAL": UMA PROBLEMATIZAÇÃO
DO PARADIGMA ANALÍTICO-LINEAR E DO SEPARATISMO NA GESTÃO
AMBIENTAL
Carlos Frederico B. Loureiro1
Marcus Azaziel2
Entre gestores de diversas instituições,
geralmente se separa a natureza, como totalidade, da sociedade e
se reduz esta a um ou outro de seus aspectos (sobretudo o econômico,
no capitalismo). Epistemologicamente, isto se reflete no dominante
paradigma científico analítico-linear e, na prática,
em uma gestão ambiental autoritária e não-integrada
(Morin, 2005).
Natureza e desenvolvimento social são separáveis,
de fato, ou esta percepção é que constitui
um problema? Propomos como caminho de superação de
dualismos como este uma metodologia integradora e dialética
(ou seja, processual, não-linear, pela qual se perceba os
diferentes aspectos da realidade de modo não só conflitivo
mas também complementar), a partir da qual estabeleceremos
nossas argumentações e considerações.
Desenvolvimento social pode ser definido como: "desenvolvimento
que seja equitativo, inclusivo, sustentável, sensível
às demandas e que possa ser responsabilizado, proporcionando
a participação efetiva das populações
em situação de pobreza e marginalizadas" (DFID,
2005). Ora, supor a inclusão já não supõe
existir a exclusão? Exclusão de quê? Do Mercado
de Trabalho, por exemplo? Há autores que supõem ser
isto intrínseco a uma lógica e uma prática
capitalistas, constituindo uma reserva de "força de
trabalho" a baratear os custos de produção (Martins,
2003). De que necessidades se trata? De quem? Todos os grupos vivem
em igualdade/eqüidade? É necessário ser mais
preciso quanto à: quem está incluído ou excluído
da efetividade de direitos nas relações sociais.
Qualquer projeto de gestão ambiental em áreas
protegidas deve levar em conta as necessidades de grupos sociais
no seu entorno. É preciso que haja uma permanente relação
dialógica democrática, principalmente com os grupos
que se encontram em situação de: pobreza, quanto à
renda (um dos elementos definidores de classe social se associado
à propriedade, embora não o único); vulnerabilidade,
quanto ao recorrente não-atendimento de direitos constitucionais
(especialmente em Saúde e Educação) - em função
da mesma pobreza associada à discriminação,
visto que, sobretudo os reconhecidos como de pele negra ou parda,
são alvo de preconceitos de vários tipos.
A situação social de pobreza e vulnerabilidade
no ambiente natural é, por nós, caracterizada como
de risco socioambiental, derivando em péssimas condições
de habitabilidade e de saneamento/serviços de saúde
e infra-estrutura em geral, abrigando muitas pessoas desempregadas
ou em empregos precários.
Para a superação de tal situação,
sugerimos um tratamento pelo qual se procure o diálogo com
aqueles grupos e sua inserção em projetos consorciados,
garantindo benefícios que os moradores possam perceber como
decorrentes da existência da U.C. e, assim, tornarem-se agentes
em prol de sua preservação. Recomendamos ainda que
os Planos de Ação de Conselhos de U.C. procurem conjugar
a contribuição de vários cientistas, instituições
e movimentos sociais dedicados às problemáticas da
desigualdade social em geral vis-à-vis o feminismo, o anti-racismo
e o ambientalismo, normalmente estudados de modo dissociado (Crenshaw,
2004; Paixão, 2003; Acselrad et. al., 2004 e Ibase, 2000)
.
Referências Bibliográficas
ACSELRAD, H. ET. AL. Justiça Ambiental e Cidadania.
Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004.
CRENSHAW, K. Documento para o Encontro de Especialistas
em Aspectos da Discriminação Racial Relativos a Gênero.
In: IBAM//UNIFEM/DFID. A Intersecção das Desigualdades
de Raça e Gênero. Rio de Janeiro: IBAM/DFID/UNIFEM,
2004.
DFID. Manual de Treinamento em Desenvolvimento Social.
Brasília: Ministério do Reino Unido para o Desenvolvimento
Internacional, 2005.
IBAMA. Roteiro Metodológico de Planejamento
(para Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Estações
Ecológicas). Brasília, 2002. mimeo.
IBASE. Movimento Sindical e Defesa do Meio Ambiente.
Rio de Janeiro: IBASE, 2000.
MARTINS, J. S. A Sociedade Vista do Abismo. São
Paulo: Cortez, 2003.
MORIN, E. O Método (seis volumes). Porto
Alegre: Sulina, 2005.
PAIXÃO, M. J. P. Desenvolvimento Humano e
Relações Raciais. Rio de Janeiro: DP & A, 2003.
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1 Professor do Programa de Pós-Graduação
em Educação/UFRJ e professor colaborador do Programa
de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades
e Ecologia Social/UFRJ. Consultor do Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas - Ibase.
2 Consultor do Instituto Brasileiro
de Análises Sociais e Econômicas - Ibase
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