Publicado em dezembro de 2005



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DESAFIOS E METODOLOGIAS PARA INCLUSÃO SOCIAL EM ÁREAS PROTEGIDAS

Nadja Maria Castilho da Costa
Depto. de Geografia da UERJ

As unidades de conservação brasileiras, particularmente aquelas localizadas em áreas urbanas, sofrem a pressão exercida pela ocupação humana de seu entorno que, vendo-se alijada do manejo e gestão de seus recursos naturais, acaba por efetuar ações, cada vez intensas, de degradação ambiental. Inserir a população residente (inclusive aqueles que moram no interior das áreas legalmente protegidas) no processo efetivo de planejamento e implementação de ações de conservação não é somente um desafio, mas acima de tudo requer empenho por parte de todos os atores sociais e políticos envolvidos, direta e/ou indiretamente na sua concretização.

Milano (1997)1, assim como vários outros estudiosos, adotou o conceito de "planejamento participativo" destacando que, nos espaços protegidos e suas "zonas de amortecimento" , acontecem várias ações e efeitos sociais que entram em conflito com os objetivos preconizados pelas leis que as regem. Porém, é sabido que esses conflitos são, em grande parte, gerados pelo distanciamento existente entre os que planejam e administram tais espaços (na maioria das vezes o poder público) e aqueles que muito tem a contribuir na real condução de práticas conservacionistas e sustentáveis. Na prática, a inclusão social ainda é difícil de se concretizar de forma plena, porém é perfeitamente factível, desde que ocorram esforços coletivos neste sentido.

Um conjunto de procedimentos que tem surtido efeitos positivos no manejo participativo da maior unidade de conservação do município do Rio de Janeiro - Parque Estadual da Pedra Branca - envolve ações relativas à capacitação de moradores através de : (a) cursos variados, não somente de educação ambiental, mas sobre temas que, de alguma forma,despertem o interesse do morador pelo local que o cerca; (b) formação de uma rede de conhecimento e atuação, por parte das principais escolas do entorno da área protegida, sobre os recursos do parque e como conservá-los, compreendendo a transferência de informações à professores e alunos (inicialmente) do ensino fundamental. Esses conhecimentos são naturalmente repassados para os pais, amigos e outros familiares dos usuários das escolas.

Ações imediatistas, muitas delas ditas de educação ambiental, em nada promove, de fato, a inclusão social. Somente ações integradas de caráter contínuo, poderão garantir a inserção comunitária no uso e conservação dos ecossistemas protegidos. Conhecer seus anseios e as suas potencialidades (dos moradores locais) faz parte de todo o processo, bem como diagnosticar detalhadamente o que se quer proteger.

 

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1 Milano, M. S. Planejamento de unidades de conservação: um meio e não um fim. In: Anais do I Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação . V. 1, Curitiba - PR. UNILIVRE. pp. 150 -165.

 

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