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DESAFIOS
E METODOLOGIAS PARA INCLUSÃO SOCIAL EM ÁREAS PROTEGIDAS
Nadja Maria Castilho da Costa
Depto. de Geografia da UERJ
As unidades de conservação brasileiras,
particularmente aquelas localizadas em áreas urbanas, sofrem
a pressão exercida pela ocupação humana de
seu entorno que, vendo-se alijada do manejo e gestão de seus
recursos naturais, acaba por efetuar ações, cada vez
intensas, de degradação ambiental. Inserir a população
residente (inclusive aqueles que moram no interior das áreas
legalmente protegidas) no processo efetivo de planejamento e implementação
de ações de conservação não é
somente um desafio, mas acima de tudo requer empenho por parte de
todos os atores sociais e políticos envolvidos, direta e/ou
indiretamente na sua concretização.
Milano (1997)1, assim
como vários outros estudiosos, adotou o conceito de "planejamento
participativo" destacando que, nos espaços protegidos
e suas "zonas de amortecimento" , acontecem várias
ações e efeitos sociais que entram em conflito com
os objetivos preconizados pelas leis que as regem. Porém,
é sabido que esses conflitos são, em grande parte,
gerados pelo distanciamento existente entre os que planejam e administram
tais espaços (na maioria das vezes o poder público)
e aqueles que muito tem a contribuir na real condução
de práticas conservacionistas e sustentáveis. Na prática,
a inclusão social ainda é difícil de se concretizar
de forma plena, porém é perfeitamente factível,
desde que ocorram esforços coletivos neste sentido.
Um conjunto de procedimentos que tem surtido efeitos
positivos no manejo participativo da maior unidade de conservação
do município do Rio de Janeiro - Parque Estadual da Pedra
Branca - envolve ações relativas à capacitação
de moradores através de : (a) cursos variados, não
somente de educação ambiental, mas sobre temas que,
de alguma forma,despertem o interesse do morador pelo local que
o cerca; (b) formação de uma rede de conhecimento
e atuação, por parte das principais escolas do entorno
da área protegida, sobre os recursos do parque e como conservá-los,
compreendendo a transferência de informações
à professores e alunos (inicialmente) do ensino fundamental.
Esses conhecimentos são naturalmente repassados para os pais,
amigos e outros familiares dos usuários das escolas.
Ações imediatistas, muitas delas ditas
de educação ambiental, em nada promove, de fato, a
inclusão social. Somente ações integradas de
caráter contínuo, poderão garantir a inserção
comunitária no uso e conservação dos ecossistemas
protegidos. Conhecer seus anseios e as suas potencialidades (dos
moradores locais) faz parte de todo o processo, bem como diagnosticar
detalhadamente o que se quer proteger.
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1 Milano, M. S. Planejamento de unidades
de conservação: um meio e não um fim. In: Anais
do I Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação
. V. 1, Curitiba - PR. UNILIVRE. pp. 150 -165.
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